Grã-Bretanha defende prisões no Iraque

O Governo britânico defendeu nesta segunda-feira o tratamento dispensado aos prisioneiros no Iraque, diante das acusações de violações dos direitos humanos contidas no último relatório da Anistia Internacional (AI). Segundo o relatório, publicado nesta segunda-feira, cerca de 14 mil pessoas continuam detidas no país árabe sem que haja acusações contra elas, o que significa uma violação do direito internacional. A detenção de pessoas nessas condições durante meses aumenta o risco de que elas sejam submetidas a torturas, denuncia a organização humanitária, que detalha em seu relatório uma série de acusações de maus-tratos contra detidos. O Ministério das Relações Exteriores britânico reagiu ao relatório, e disse que as forças multinacionais mobilizadas no Iraque estão autorizadas por duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU a fazer este tipo de detenção. "Os detidos são considerados uma ameaça para a segurança, não só das forças multinacionais no Iraque, mas também do próprio povo iraquiano", disse o porta-voz, que acrescentou que colocá-los em liberdade seria um risco para as vidas de iraquianos inocentes. As forças britânicas mantêm 43 pessoas detidas na base logística de Shaibah, no sul do Iraque. Os presos sob custódia britânica têm acesso aos advogados e à família, e recebem visitas da Cruz Vermelha Internacional, informou um porta-voz do Ministério do Exterior. O relatório da Anistia Internacional denuncia que o número de detidos no Iraque é quase trinta vezes superior aos 490 presos que permanecem também em um vazio legal na base militar americana de Guantánamo, em Cuba. A diretora da seção britânica da Anistia Internacional, Kate Allen, qualificou hoje como "apavorante" descobrir que "as forças multinacionais mantêm milhares de pessoas detidas sem acusações".

Agencia Estado,

06 Março 2006 | 19h36

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