Grã-Bretanha deve anunciar mais ajuda militar aos EUA

A Grã-Bretanha deve anunciar nos próximos dias o envio de mais ajuda militar à coalizão liderada pelos Estados Unidos, informou hoje o governo do primeiro-ministro Tony Blair. Oficiais britânicos já haviam adiantado que o reino considera utilizar parte dos mais de 20.000 soldados que atualmente realizam exercícios militares em Omã na ofensiva contra o Afeganistão. "Obviamente há uma questão relacionada ao envio de tropas além do que já anunciamos e tais discussões ainda estão ocorrendo. Elas serão concluídas nos próximos dias", disse um funcionário do governo sob condição de anonimato. Em uma entrevista publicada hoje pelo jornal britânico The Daily Telegraph, Blair revela ter apontado um enviado pessoal ao Afeganistão para estabelecer vínculos com a Aliança do Norte, que luta contra o regime do Taleban. Segundo Blair, seu escolhido, Paul Bergne, um ex-embaixador britânico no Usbequistão e no Tadjiquistão, já se encontra no Afeganistão. Na entrevista ao diário, Blair disse também que Osama bin Laden, o principal suspeito pelos atentados de 11 de setembro em Nova York e Washington, deverá ser morto, ao invés de ser detido no conflito do Afeganistão. "Ele está bem armado e bem protegido e eu sempre pensei que a possibilidade dele ser levado a uma corte é muito remota. Mas vamos esperar para ver", afirmou Blair. Oposição Membros do Partido Trabalhista no Parlamento britânico formaram hoje um grupo chamado "trabalhistas contra a guerra", colocando-se assim frontalmente contra a posição de Tony Blair. A criação do grupo parlamentar, que pertence ao mesmo partido do primeiro-ministro, surgiu como resposta aos contínuos bombardeios dos EUA e seus aliados ao território afegão, e já criou muita controvérsia dentro da Câmara dos Comuns. Os objetivos principais do grupo antiguerra são: deixar clara a condenação pelos ataques de 11 de setembro; deter as ações militares no Afeganistão por estas não terem condições de expulsar o "terrorismo internacional"; opor-se aos bombardeios britânicos e propor métodos alternativos de diálogo e ajuda humanitária e, finalmente, não aceitar nenhuma lei que proíba a liberdade para os refugiados de qualquer raça na Grã-Bretanha. Por outro lado, Blair e a secretária britânica de Desenvolvimento Internacional, Clare Short, mostraram-se descontentes com a crescente oposição dentro do Parlamento aos bombardeios no Afeganistão. O primeiro-ministro inglês falou com o deputado Jeremy Corbyn para expressar-lhe que está de acordo com o "direito de dissensão", mas negou-se a pedir um cessar-fogo na região. "Não houve ataques a objetivos civis nesta guerra", disse Blair, em tom enérgico. Clare Short, por sua vez, declarou ao Parlamento que é necessário reunir ajuda humanitária para a população civil afegã, acrescentando que não foram lançados "grupos de bombas contínuos" nos 16 dias que já dura a guerra. Mas admitiu que "algumas" bombas podem ter sido utilizadas "consecutivamente". "Não é verdade que os bombardeios são a causa dos problemas", disse Short, e acrescentou que realmente "é preciso minimizar os ataques e passar a uma fase de diálogo político assim que for possível". Leia o especial

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 13h35

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