Grã-Bretanha, Dinamarca, Bélgica e Holanda entram na coalizão contra EI

Luta longa. Revertendo decisão de 2013, Parlamento britânico aprovou proposta defendida por Cameron, que alertou para o fato de que a missão deve durar 'anos e não meses'; em quase todos os casos, países descartaram hipótese de enviar tropas de terra

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2014 | 02h02

A Grã-Bretanha se unirá à campanha aérea contra o Estado Islâmico (EI) no Iraque. O Parlamento, em Londres, aprovou a decisão por 524 votos a favor e 43 contra. O premiê David Cameron fica liberado para aderir à coalizão internacional liderada pelos EUA, com apoio da França e de países árabes. Dinamarca, Bélgica e Holanda também anunciaram o envio de caças e o início das operações no Oriente Médio.

A decisão do Parlamento britânico foi tomada depois que Cameron e o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, defenderam a adesão. "Esta missão não vai durar meses, mas anos, e acho que devemos nos preparar para este engajamento", disse o premiê, garantindo que não enviará forças terrestres. "As características desta campanha serão a paciência e a perseverança", acrescentou.

O voto reverte a decisão de 2013, quando o premiê foi desautorizado pelo Parlamento ao submeter um pedido de intervenção militar na Síria, depois do ataque com armas químicas lançado pelo Exército do ditador Bashar Assad na periferia de Damasco.

Sobre a presença em massa dos extremistas do EI em território sírio, Cameron deixou aberta a possibilidade de bombardear o outro lado da fronteira, mesmo que os primeiros ataques venham a se limitar ao Iraque. "Podemos fazer mais na Síria, mas não quero trazer ao Parlamento uma moção que não seja consensual", disse, temendo uma nova rejeição.

Cameron argumentou, porém, que bombardear o território sírio não feriria o Direito Internacional. "Não creio que haja uma barreira legal", reiterou, mantendo a possibilidade aberta, como faz o governo da França.

Tão logo a decisão foi formalizada, seis aviões Tornado da Real Força Aérea (RAF) foram mobilizados em uma base no Chipre, segundo informou o ministro de Relações Exteriores, Philip Hammond. As aeronaves já participavam de missões de reconhecimento na região e podem começar a agir a qualquer momento.

Mais cedo, a primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, anunciou o envio de sete caças F-16 para participar das operações em meio à coalizão. "Pediram-nos que aportássemos nossa contribuição no Iraque", justificou, revelando que o pedido partiu do novo governo iraquiano.

Outros seis F-16 serão enviados pela Bélgica, cujo Parlamento aprovou na tarde de ontem, por 114 votos a favor e 2 contra, uma resolução autorizando que aviões estacionados na Grécia partam para missões de ataque contra o EI no Iraque. Na quarta-feira, a Holanda também havia aprovado o envio de seis F-16 para a primeira fase de campanha, avaliada em um mês.

Na Síria. Com exceção dos EUA, que já realizam bombardeios na Síria, França, Grã-Bretanha, Dinamarca, Bélgica e Holanda excluem no momento a possibilidade de atacar o território sírio. Outros cinco países árabes - Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia e Catar - participam da ofensiva na Síria.

A coalizão liderada pelos EUA reúne no papel mais de 40 países. Mas pairam dúvidas sobre o real apoio que os governos de Catar e Turquia prestam até agora aos ataques contra os extremistas islâmicos.

Pressionado, o governo turco reiterou ontem que se juntará aos esforços militares de maneira ativa.

A posição nebulosa da Turquia até aqui, segundo o presidente Recep Tayyip Erdogan, teria sido causada pelas negociações para a troca de 49 reféns, 46 deles turcos, em poder do Estado Islâmico, o que de fato aconteceu.

"Nosso maior dever era pensar na segurança de suas vidas. Ao mesmo tempo, também é nosso dever pensar na reputação da Turquia", disse Erdogan. "Nossa posição mudou agora. O processo a ser seguido é totalmente diferente."

O presidente turco solicitará, possivelmente no dia 2, ao Parlamento uma autorização para atacar. "Este mandato autorizará a intervenção das Forças Armadas", disse Erdogan.

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