Grã-Bretanha é alvo número 1 da Al Qaeda, diz "The Guardian"

A Grã-Bretanha, principal aliado dos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão, se tornou o alvo favorito da Al Qaeda, que recuperou sua força, segundo fontes ligados ao programa antiterrorista citados nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian.Chefes dos serviços de inteligência com acesso a informação sobre as atividades da Al Qaeda disseram que a rede recuperou sua força no Paquistão apesar de quatro anos de campanha para eliminara seus dirigentes. A Al Qaeda formou um núcleo forte e tem recebido constantemente novos voluntários. A estrutura de suas células se assemelha à do antigo Exército Republicano Irlandês (IRA), segundo as fontes. Um organizador atua à frente de cada grupo, que conta ainda com um encarregado de armas eexplosivos e vários voluntários. Os grupos, organizados hierarquicamente, se dedicam a tarefas que vão desde práticas fraudulentas e arrecadação de fundos até os trabalhos de conexão e planejamento de atentados."Para a Al Qaeda, o Reino Unido representa uma grandeoportunidade de um massacre que pressione as autoridades", disse uma fonte. Os ataques à rede de transporte de Londres, em 7 de julho de2005, teriam sido "só o começo".A Grã-Bretanha seria um alvo mais fácil que outros países, devido aos seus vínculos tradicionais com o Paquistão. Antes, os serviços de segurança britânicos viam a ameaça terrorista como uma rede de grupelhos que compartilhavam a filosofia da Jihad (Guerra Santa), mas sem uma estrutura estável. Hoje, falam de um sistema muito mais hierárquico, organizado e com métodos de recrutamento, treinamento e planejamento de ataques muito aperfeiçoados. No entanto, ainda segundo as fontes consultadas pelo Guardian, os líderes da Al Qaeda no Paquistão e seus delegados na Europadeixam que as células tomem as iniciativas.Os novos recrutas são cuidadosamente selecionados: em geral são muçulmanos em torno dos 20 anos, dizem os especialistas. Eles são submetidos a sessões de doutrinamento, que começam com orações e pregações religiosas, seguidas de debates políticos sobre o Islã e sua relação com Ocidente. Na fase seguinte, os jovens são treinados na fabricação de explosivos. Os encarregados do recrutamento se esforçam para criar um ambiente de fraternidade e coesão no grupo. Às vezes os jovens passam por ritos de iniciação que podemconsistir em passar a noite em lugares remotos e em condições adversas para provar sua coragem e garantir que eles não vão abandonar seus companheiros.

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