ANDREI NETTO/ESTADAO
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Grã-Bretanha e França anunciam medidas de segurança mais duras contra imigrantes

Governos criarão um centro de comando para combater as redes de tráfico de pessoas e farão um investimento de 10 milhões de euros para ajudar os refugiados

O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 15h43

CALAIS - A Grã-Bretanha e a França anunciaram nesta quinta-feira, 20, medidas de segurança mais duras para proteger o Eurotúnel, incluindo um novo centro de comando policial para mirar nas redes de tráfico de pessoas, e um investimento de 10 milhões de euros (US$ 11,2 milhões) para ajudar os imigrantes que procuram asilo e enviar outros para seus países.

Com as medidas, governos pretendem superar as tensões diplomáticas nas proximidades do porto de Calais, local marcado pela grande onda de imigrantes que tenta chegar ao território britânico. As mudanças focam mais em policiamento do que em esforços humanitários para conter a situação.

A operação do centro de comando e de controle bilateral de Calais será dirigido pelas forças da ordem francesas, mas reunirá também equipes britânicas encarregadas do controle das fronteiras e da Agência Nacional Britânica de Luta contra a Criminalidade.

Cada país designará um "alto responsável para exercer um papel de comando unificado" para tudo que estiver relacionado à erradicação das redes de traficantes que exploram os imigrantes, cobrando milhares de euros por pessoa para tentar levá-las para a Grã-Bretanha.

Os ministros do Interior da Grã-Bretanha, Theresa May, e da França, Bernard Cazeneuve, visitaram ontem o túnel e anunciaram planos para um aumento “substancial” dos seguranças, cercas mais altas, câmeras de vigilância, holofotes e tecnologia de detecção por infravermelho.

Desde o começo de junho, ao menos 10 imigrantes morreram tentando atravessar o Eurotúnel para chegar à Grã-Bretanha, e muitos outros têm conseguido passar sem ser percebidos. Ingleses e franceses têm acusado uns aos outros de não fazer o suficiente para lidar com a situação.

Cerca de 3 mil imigrantes e refugiados estão acampados em Calais em condições insalubres e passando fome, com cada vez mais pessoas chegando e partindo diariamente da região. Em 2015, a Alemanha já recebeu 360 mil imigrantes e a Grécia, 160 mil.

May insistiu sobre a importância de diferenciar aqueles que estão fugindo de guerras dos imigrantes que chegam ilegalmente para procurar melhores condições econômicas.

“É um problema que começa em outras partes do mundo, com os imigrantes tentando entrar em outros países com a ajuda de grupos criminosos organizados”, disse May.

Investimento. A Grã-Bretanha vai aumentar o monitoramento nos outros portos do Mar do Norte em um momento em que a repressão em Calais empurra os imigrantes para outros pontos de partida possíveis.

O custo total das medidas anunciadas não foi revelado, mas uma declaração conjunta mostrou que a os ingleses fornecerão um adicional de 5 milhões de euros por ano para os próximos dois anos para identificar e proteger os imigrantes mais vulneráveis, particularmente mulheres e crianças.

Cazeneuve disse que as autoridades francesas já desmantelaram 19 redes de tráfico de pessoas em 2015. Agora, há cerca de 400 câmeras de segurança, 200 seguranças franceses e 500 outras forças de segurança cercando a área próxima à entrada do túnel.

A Grã-Bretanha financiou as cercas de 4 metros de altura que estão na fronteira e que, segundo o porta-voz do Eurotúnel, Romain Dufour, reduziram consideravelmente o fluxo de imigrantes no local.

Esperança. Os imigrantes em Calais, contudo, viram o anúncio das novas medidas com ceticismo e afirmaram que enquanto ouvirem histórias de pessoas bem-sucedidas na Grã-Bretanha, eles continuarão se arriscando na travessia.

O imigrante sírio Kamil disse que o investimento dos ingleses em segurança é “perda de dinheiro”. “Mesmo que eles continuem colocando cercas na água, eles não vão nos impedir”, disse Kamil, que informou apenas o primeiro nome por medo de ser preso. “Ligarei quando chegar na Inglaterra”, disse. /ASSOCIATED PRESS e EFE

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