Grã-Bretanha em alerta contra o terrorismo

Em alerta de segurança máximo, a Grã-Bretanha, principal aliado internacional dos Estados Unidos, iniciou a quarta-feira num clima de perplexidade e temor. Logo no início da manhã, uma reunião entre Tony Blair e o Comitê de Emergência, integrado pelos principais integrantes de seu gabinete e chefias militares, teve que ser interrompida por causa da ameaça de um possível atentado contra Downing Street, local que abriga a residência e o gabinete do primeiro -ministro, localizado nas proximidades do Parlamento. A área foi evacuada, mas a reunião foi reiniciada após cerca de quarenta minutos.A área que abriga o mercado financeiro da capital britânica, a City, está sob um forte esquema de segurança, principalmente no prédios que abrigam a Bolsa de Valores, o Banco da Inglaterra e as principais instituições financeiras. Nesta manhã, a sede do Bank of America também teve que ser evacuada às pressas após uma ameaça anônima. Outra área da capital que concentra dezenas de bancos, Canary Wharf, também está recebendo uma proteção especial, principalmente nas suas torres com cinquenta andares, consideradas a versão britânica para o World Trade Center de Nova Iorque.Com os vôos para os Estados Unidos e Canadá interrompidos, os aeroportos do país vivem uma situação caótica, com centenas de vôos para outras destinações atrasados e cancelados e dezenas de milhares de passageiros tentando encontrar alternativas para as suas viagens. Para agravar ainda mais a situação, o aeroporto mais próximo do centro da capital, o City, está fechado devido à decisão do governo de proibir o tráfego aéreo sobre a capital.As edições desta quarta-feira dos principais jornais britânicos se esgotaram rapidamente no início desta manhã. Pela primeira vez em sua história, o sempre comedido Financial Times estampou em letras garrafais a manchete - "Assault on America" (Ataque contra os Estados Unidos), acompanhada de uma enorme foto colorida que ocupa metade da página exibindo a Estátua da Liberdade tendo como fundo o cenário de destruição que assolou o centro de Nova Iorque. A exemplo do FT, outros diários britânicos, como o The Independent, The Guardian e o The Times dedicam dezenas de páginas aos ataques terroristas nos Estados Unidos, afirmam que a nação mais poderoda do planeta está em estado de guerra e especulam sobre as implicações da crise para mundo. Preocupação com a respostaA preocupação sobre como o presidente George W. Bush responderá ao pior atentado terrorista da história contra os Estados Unidos, que para muitos americanos colocou o país em virtual estado de guerra e justificaria uma retaliação generalizada a alvos terroristas suspeitos espalhados pelo mundo, está no topo da lista de discussões entre os líderes europeus e deverá ser amplamente debatida hoje em Bruxelas, durante a reunião de emergência dos ministros das relações exteriores da União Européia.Segundo informações de seus assessores, o primeiro-ministro britânico Tony Blair dedicou boa parte da noite passada mantendo contatos telefônicos com o principais líderes europeus, como o presidente francês Jacques Chirac, o presidente russo Vladimir Putin e o chanceler alemão Gerard Schroeder. Blair teria discutido planos para as potências européias atuarem conjuntamente em apoio aos Estados Unidos e reforçarem as medidas de segurança no continente.Segundo analistas políticos, no entanto, os intensos contatos entre Blair e e outros líderes europeus refletem o crescente receio de que os norte-americanos, chocados e humilhados com a constatação de sua vulnerabilidade diante do terrorismo internacional, iniciem uma retaliação de escala gigantesca contra os principais suspeitos pela autoria dos ataques. O temor é de que uma resposta desmedida de Bush acabe acirrando ainda mais a elevada tensão internacional, principalmente no Oriente Médio, provocando um acirramento sem precedentes de radicalismos. Por isso, muitos analistas acreditam que Blair, ao dizer que não se tratava de uma batalha apenas entre o terrorismo e os Estados Unidos, mas sim entre o terror e o todo o mundo democrático, procurou iniciar uma coordenação imediata das principais potências mundiais para oferecer uma resposta dura, mas controlada, aos ataques.Outros analistas, no entanto, têm uma leitura oposta à posição do primeiro-ministro britânico. Segundo eles, Blair, ao afirmar a necessidade de "se erradicar esse mal do terrorismo de massa, esse demônio do mundo", deu um sinal claro que a resposta norte-americana, embora duríssima, será justificável, e estaria preparando o terreno juntos aos seus colegas europeus para o que está por vir.

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