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PHILIPPE HUGUEN/AFP
PHILIPPE HUGUEN/AFP

Grã-Bretanha enviará cães farejadores para conter imigrantes ilegais em Calais

Depois de reclamar do 'enxame' de estrangeiros chegando à Europa, primeiro-ministro britânico, David Cameron, anuncia reforço da repressão para auxiliar na segurança do Eurotúnel

Andrei Netto, Enviado Especial / Calais, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2015 | 11h48

CALAIS, FRANÇA - Pressionado pela opinião pública britânica e por segmentos imprensa do país, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, anunciou nesta sexta-feira, 31, que enviará cães farejadores para auxiliar a segurança do Eurotúnel na contenção de imigrantes que tentam migrar para a ilha. O anúncio foi feito um dia depois de o premiê classificar de "enxame" a chegada de estrangeiros à Europa - uma expressão que gerou uma onda de críticas de organizações humanitárias. Na noite de quinta-feira, mais de mil tentativas de intrusão no canal subterrâneo foram registradas. 

Cameron anunciou o envio do "reforço" no policiamento na manhã de hoje. "A situação é inaceitável. Pessoas tentam entrar ilegalmente em nosso país e os caminhoneiros e veranistas enfrentam perturbações", reclamou, anunciando a ajuda extra à empresa concessionária do túnel sob o Canal da Mancha, a Eurotunnel. "Nós vamos enviar barreiras, cães farejadores e meios suplementares", assegurou.

O premiê britânico também se reunirá por teleconferência com o presidente da França, o socialista François Hollande, para tentar encontrar uma solução à pressão migratória em Calais. "Nós estamos prontos a agir mais e a trabalhar juntos com nossos parceiros franceses para baixar a tensão dos dois lados da fronteira", disse Cameron. 

Pela manhã, os ministros do Interior dos dois países, Bernard Cazeneuve e Theresa May, reuniram-se para discutir "esforços conjuntos de solidariedade", mas em Paris e Londres as autoridades apostam que a crise migratória persistirá ao longo dos próximos meses.

Na Grã-Bretanha, a imprensa conservadora, como o jornal The Telegraph, vem abrindo amplos espaços para políticos que solicitam a intervenção das Forças Armadas no caso. A radicalização é tamanha que um deputado chegou a pedir ao primeiro-ministro que invada e "retome" o território de Calais da França. Sem ir tão longe, Cameron insinuou estar aberto à possibilidade de ação do Exército do lado britânico da fronteira. "Nós não excluímos nenhuma ação que permita enfrentar a situação", afirmou.

Em Calais, a noite de quinta-feira foi de menos tensão entre os estrangeiros e a polícia. Depois do pico registrado no meio da semana, quando cerca de 2,5 mil tentativas de intrusão no Eurotúnel foram registradas, na noite de quinta e na madrugada de hoje o número teria se reduzido a entre mil e 1,5 mil. Nem a polícia, nem a Eurotunnel, explicam qual é a metodologia usam para calcular as tentativas de invasão. 

A reportagem do Estado passou parte da noite e da madrugada na região, e constatou o assédio de imigrantes ao redor da estação de trens localizada na entrada do túnel. Mas durante todo o tempo as centenas de jovens - adolescentes, homens e mulheres - foram enquadrados por um forte aparato policial. Desde a terça-feira, 120 agentes da tropa de choque reforçam o policiamento, marcado por presença ostensiva e barreiras em estradas, avenidas e pontos de passagem dos estrangeiros.

Segundo a agência France Presse, a direção da Eurotunnel se mostrou satisfeita pelo reforço policial, que "se coordenou muito bem" com a segurança existente.

A situação, entretanto, continua a causar mal-estar em Paris. Hoje o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, definiu a situação dos estrangeiros em Calais como "humanamente horrível", e pediu que França e Grã-Bretanha coordenem esforços de países de origem para conter a imigração clandestina.

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