Gary Granja/Reuters
Gary Granja/Reuters

Grã-Bretanha nega saída a Assange mas diz buscar diplomacia com Equador

Governo britânico reafirma decisão de extraditar fundador do WikiLeaks à Suécia, onde é acusado de estupro; ativista teme ser enviado aos EUA

BBC Brasil, BBC

20 de agosto de 2012 | 12h16

LONDRES - A Grã-Bretanha reafirmou nesta segunda-feira, 20, que não vai dar um salvo conduto a Julian Assange para que ele deixe a Embaixada do Equador em Londres e siga para o país sul-americano em segurança.

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No entanto, o governo britânico afirma que está buscando uma "solução diplomática" junto ao Equador para resolver a questão. "Esperamos chegar a uma solução diplomática e estamos fazendo o que podemos para chegar a isso", disse nesta segunda-feira o porta-voz do premiê britânico, David Cameron. "Pela nossa lei, tendo esgotado todas as opções de recursos, somos obrigados a extraditá-lo para a Suécia. É nossa intenção seguir com essa obrigação. Vamos continuar conversando com o governo equatoriano e outros para tentar achar uma solução diplomática."

O criador do site WikiLeaks está abrigado na Embaixada do Equador em Londres desde junho. Na semana passada, o Equador concedeu asilo político a Assange. No entanto, a Grã-Bretanha diz que pretende prendê-lo assim que Assange deixar a embaixada equatoriana, já que uma decisão da Justiça local determina que o ativista seja extraditado para a Suécia.

O ativista australiano de 41 anos é alvo de uma investigação sobre suposto estupro e assédio sexual na Suécia. No entanto, ele diz ser alvo de uma perseguição dos Estados Unidos, que investigam o WikiLeaks pelo vazamento de centenas de documentos sigilosos do governo americano em 2010.

Ameaças

Na semana passada, o Equador disse ter sido ameaçado pelo governo britânico ao receber uma carta do ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha. Na correspondência as autoridades citavam uma lei de 1987 que permitiria a suspensão temporária do status da embaixada e a invasão da polícia para prender Assange. Posteriormente, o governo britânico disse que sua única intenção era elucidar "todos os aspectos da lei britânica dos quais o Equador deveria estar ciente".

Na América do Sul, o Equador recebeu o apoio de países vizinhos no caso Assange. Membros da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) assinaram no domingo um documento de apoio ao país em sua decisão de conceder asilo ao fundador do WikiLeaks.

Em reunião realizada na cidade equatoriana de Guayaquil, ministros de Relações Exteriores dos países sul-americanos reafirmaram o direito soberano dos Estados de conceder refúgio. O documento também pede que as partes envolvidas mantenham o diálogo e a negociação para encontrar uma solução mutuamente aceitável para o caso.

Também no domingo, Assange fez seu primeiro pronunciamento desde que lhe foi concedido o asilo político. Da sacada do prédio da embaixada em Londres, ele fez um apelo para que os Estados Unidos ponham fim ao que chamou de "caça às bruxas" contra o WikiLeaks.

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