Grã-Bretanha pode sair da UE se tentar conter imigração, diz Merkel

Londres minimizou a declaração da chanceler alemã sobre a política imigratória com relação a outros países do bloco

O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2014 | 17h21

LONDRES - O ministro das Finanças britânico, George Osborne, minimizou nesta segunda-feira, 3, relatos de que a chanceler alemã, Angela Merkel, abandonaria as tentativas de manter a Grã-Bretanha dentro da União Europeia caso Londres prossiga com planos para conter a imigração de outros Estados da UE, conforme noticiado pela revista alemã Der Spiegel no domingo.

"Eu acho que esse relato é muito fraco", comentou Osborne. Ele afirmou que contatos da Grã-Bretanha com o governo alemão mostram que Berlim compreendia a inquietação pública britânica sobre imigrantes desempregados da UE que reivindicavam benefícios sociais. O jornal publicou que Merkel havia alertado o primeiro-ministro britânico, David Cameron, de que a política de contenção seria um "ponto sem volta" que poderia aumentar gravemente o risco de a Grã-Bretanha deixar a UE.

Um porta-voz de Merkel disse nesta segunda que a Alemanha quer que a Grã-Bretanha permaneça "ativa e engajada" na UE, mas não cederá aos planos de Cameron contra a imigração de outros países do bloco.

"O povo britânico quer que isso seja tratado. Vamos fazer isso de uma maneira calma e racional", disse Osborne à emissora de TV BBC, referindo-se à promessa de Cameron de estabelecer novas ideias sobre como lidar com a questão antes do fim do ano.

O primeiro-ministro ainda não divulgou seus planos, mas deixou claro que quer encontrar uma maneira de respeitar as regras da UE, que garantem liberdade de movimento para trabalho, ao passo que combateria o que ele chama de "liberdade para reivindicar benefícios".

A Alemanha expressou simpatia com tal posição no passado e o porta-voz de Merkel disse haver um "forte interesse" em cooperar com a Grã-Bretanha para lidar com qualquer abuso do regime de livre movimentação.

Sob a crescente pressão do partido anti-UE Ukip antes das eleições nacionais de maio de 2015 e de muitos de seus próprios parlamentares, Cameron disse que gostaria de tentar conter a imigração da UE caso reeleito - uma medida que, segundo a União Europeia, infringiria o direito de livre movimentação acordado pelo bloco europeu.

Caso continue no cargo, Cameron prometeu renegociar os laços da Grã-Bretanha com a UE antes de realizar um referendo, em 2017, sobre a participação britânica no bloco de países, em meio ao desânimo do público com o fracasso do governo em conter a imigração por conta dessa filiação à União Europeia. /REUTERS

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