Grã-Bretanha poderá apoiar pretensões do Brasil na ONU

O Brasil tem boas chances de receber o apoio do governo britânico para a sua reivindicação de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A avaliação é do embaixador Celso Amorim, que acaba de assumir a embaixada brasileira em Londres após chefiar a representação diplomática junto a Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra. Amorim, ao longo das últimas semanas, vem mantendo vários contatos com representantes do governo e do setor privado britânico. Num desses encontros, com uma autoridade do alto escalão do Ministério das Relações Exteriores, ele discutiu a reivindicação brasileira. "Foi logo após o primeiro-ministro Tony Blair ter apoiado uma cadeira permanente para a Índia no Conselho de Segurança, no início deste mês", disse Amorim. "Mencionei o caso brasileiro e obtive uma resposta, cujos detalhes não posso fornecer, mas que considero muito promissora." Segundo o embaixador, a Grã-Bretanha possuiu "uma visão conceitual" do Conselho de Segurança muito similar à brasileira, inclusive no que se refere ao alargamento para a entrada de novos países. "Houve um aceno positivo a uma inclusão brasileira e acho que isso tem o potencial de se concretizar." Contágio argentino e Mercosul Amorim afirmou que, nos seus contatos, inclusive com investidores da city, ficou patente o descolamento da crise argentina da economia brasileira. "Obviamente as pessoas estão preocupadas com o que se passa na Argentina, mas a avaliação geral é a de que o Brasil está numa posição diferenciada e não há o perigo de uma contaminação financeira ou macro-econômica." Ele disse também ter constatado um grande interesse pelo Brasil entre empresários e investidores. Na avaliação do embaixador, o novo governo argentino está dando sinais claros de que pretende adotar uma postura mais realista e construtiva em relação ao Mercosul, o que poderá ter reflexos para o bloco. "Há ainda muitos pontos de interrogação no curtíssimo prazo, mas acredito que o Mercosul poderá sair reforçado desse processo", afirmou. Segundo ele, a nova postura argentina também deverá reforçar a estratégia - defendida pelo governo brasileiro - de manter um equilíbrio entre negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas e para um acordo de livre comércio com a União Européia (UE). "Com um Mercosul mais afinado, as negociações com a UE e a Alca poderão ser agilizadas." Segundo o embaixador, a Grã-Bretanha é um interlocutor importante para o Mercosul dentro da UE pois defende a queda do protecionismo agrícola, o ponto de maior interesse para o governo brasileiro nas negociações de livre-comércio com os europeus.

Agencia Estado,

18 Janeiro 2002 | 13h40

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