Grã-Bretanha retirará mil soldados do Iraque

Brown visita tropas britânicas e anuncia retirada parcial até o fim do ano; Maliki e Petraeus apóiam decisão

AP e Reuters, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 00h00

Em sua primeira visita ao Iraque desde que se tornou primeiro-ministro britânico, Gordon Brown anunciou ontem a retirada de mais mil soldados do país até o fim do ano. Há atualmente 5.500 militares britânicos no Iraque, numa base próxima a Basra, no sul do país.O premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, se encontrou com Brown em Bagdá e disse que suas tropas ''''estão prontas para assumir o controle total da segurança em Basra nos próximos dois meses''''.Brown também se reuniu com o general David Petraeus, principal comandante dos EUA no Iraque, que aprovou sua decisão. ''''Acredito que isso (a retirada) é perfeitamente possível . Basra tem quatro batalhões, a maioria já com iraquianos na liderança'''', disse Petraeus.Militares americanos já haviam expressado preocupação com a redução da força britânica no sul do Iraque, o que poderia criar um vácuo de poder, incentivando rebeldes a atacarem a região.BLACKWATEREm Washington, Erik Prince, presidente da empresa de segurança privada Blackwater, rejeitou as acusações de que seus funcionários teriam agido inadequadamente no Iraque, matando civis com a proteção do Departamento de Estado dos EUA. ''''Acredito que agimos apropriadamente em todas as ocasiões'''', disse Prince, de 38 anos, à Comissão de Supervisão e Reforma de Governo da Câmara.Os seguranças da Blackwater são acusados de matar 11 civis iraquianos em 16 de setembro, durante um tiroteio em Bagdá. O caso revoltou os iraquianos e abriu uma polêmica sobre o uso de seguranças privados em guerras. O FBI também está investigando o episódio.O presidente da comissão, o democrata Henry Waxman, afirmou que o tiroteio foi ''''apenas o mais recente de uma série de incidentes problemáticos envolvendo a Blackwater''''. Elijah Cummings, outro democrata, qualificou os seguranças como ''''uma força mercenária, que adotou uma política de atirar primeiro e perguntar depois''''.Segundo um relatório organizado pelos senadores e divulgado na véspera, a empresa envolveu-se em 195 incidentes com tiros no país, incluindo ao menos um caso em que um civil foi morto por um guarda que estava bêbado. A Blackwater é a principal empresa de segurança que presta serviço para os EUA, protegendo militares e diplomatas americanos. O governo Bush já pagou mais de US$ 1 bilhão à companhia.Em uma tentativa de chamar atenção para os gastos no Iraque, deputados democratas propuseram ontem a criação de uma taxa extra no imposto de renda dos americanos, para financiar os cerca US$ 150 bilhões gastos anualmente com a guerra.A medida não deve ser aprovada, mas os democratas vêm procurando, nas últimas semanas, contrastar os US$ 190 bilhões gastos no Iraque e no Afeganistão com sua proposta de aumentar em US$ 23 bilhões o orçamento para investir em programas domésticos. O presidente George W. Bush já ameaçou a vetar todas propostas que considerem altos demais os investimentos em guerras.

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