Grã-Bretanha terá que conceder cidadania a detido em Guantánamo

O Governo britânico perdeu nesta quarta-feira o recurso apresentado contra a decisão de conceder cidadania a um australiano detido na base militar dos Estados Unidos em Guantánamo (Cuba) há quase quatro anos, informaram fontes judiciais. O Tribunal Superior do Reino Unido decidiu em 13 de dezembro que o ministro do Interior, Charles Clarke, não tinha a capacidade legal de privar David Hicks, de 31 anos e cuja mãe é britânica, da cidadania do país. O Ministério do Interior considerou que a decisão judicial é "uma decepção", por isso decidiu recorrer da sentença. Após a decisão judicial desta quarta-feira do tribunal de apelações, o advogado de Hicks, Stephen Grosz, disse que as autoridades britânicas teriam que começar as gestões com os EUA para conseguir sua libertação, como ocorreu com os outros britânicos detidos em Guantánamo. O Ministério do Interior estuda recorrer à Câmara dos Lordes, a máxima instância judicial no Reino Unido. Clarke diz que Hicks, conhecido como o "taleban australiano", tem direito à cidadania britânica porque sua mãe nasceu no Reino Unido, mas argumenta que tal direito poderia ser negado por questões de segurança, devido a seu suposto envolvimento em atividades terroristas contra o país. O ministro do Interior tem a capacidade, de acordo com várias leis de imigração, de privar da cidadania britânica uma pessoa que, por exemplo, tenha mostrado deslealdade à Rainha ou se associado ao inimigo. Hicks está detido em Guantánamo desde janeiro de 2002, quando foi capturado pelas tropas americanas enquanto supostamente lutava junto aos talebans no Afeganistão. O "taleban australiano" é acusado de conspiração para cometer crimes de guerra e de ajudar o inimigo, o que ele nega.

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