Alex Silva/ Estadão
Alex Silva/ Estadão

'Grande erro foi não reformar o regime após o fim da URSS', diz Freire

Ministro da Cultura, Roberto Freire condena a falta de democracia na ilha

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2016 | 11h23

Uma escolha de Fidel Castro foi fundamental para comprometer o legado da revolução cubana: a decisão de não reformar e abrir a Ilha após o desmoronamento da antiga União Soviética em 1991. Essa é a análise de outro político que foi teve a proximidade com o governo cubano em seu passado: o atual ministro da Cultura, Roberto Freire (PPS). "Esse foi o grande erro. Sem o aprimoramento das conquistas sociais e econômicas, sobrou a ausência de democracia e esse fato hoje predomina sobre o legado positivo da revolução: a afirmação de uma maior justiça social."

Durante a manhã, Freire estava redigindo a nota que seu partido, o PPS irá publicar a respeito da morte do líder cubano. "Ele marcou a história." Freire esteve no início dos anos 1980 entre os parlamentares brasileiros que fizeram parte da comissão que pela primeira vez visitou a ilha caribenha. A comitiva conta com Alberto Goldman, Fernando Morais e outros.

Depois retornou à Cuba outras duas oportunidades. A primeira para as comemorações dos 30 anos da revolução e depois para discutir a dívida externa. "Os cubanos acreditavam que a crise da dívida podia criar condições objetivas para um processo revolucionário na região", contou Freire. Naqueles anos, o Brasil havia declarado moratória e deixara de pagar os credores internacionais. Eleito pelo PMDB - o PCB ainda era ilegal - Freire depois migrou para o partidão e chegou a ser seu candidato à presidência em 1989 e secretário-geral, comandando o processo que levou à transformação da legenda no atual PPS.

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