Grandes desafios esperam a nova líder no segundo mandato

A socialista Michelle Bachelet deverá sofrer pressões enormes para fazer as mudanças estruturais no sistema eleitoral, nos impostos e na educação.

ANÁLISE: Eva Vergara / AP - O Estado de S.Paulo,

16 de dezembro de 2013 | 02h03

A presidente terá a oportunidade histórica de alterar a Constituição chilena legada pelo ditador Augusto Pinochet para sufocar as pressões populares e estudantis que querem dar participação eleitoral a partidos minoritários, aumentar o valor das aposentadorias, elevar os impostos corporativos e reformar a educação superior para que seja pública, gratuita e de melhor qualidade.

A viabilidade de seu programa depende dos votos que conseguir no Congresso para se somarem à maioria parlamentar que obteve nas eleições parlamentares de novembro, pois algumas reformas precisam obter ao menos dois terços dos votos segundo o legado da ditadura para dificultar as mudanças constitucionais.

Estas reformas não foram feitas quando a ditadura terminou porque os governos da chamada "transição" demoraram em negociar outras mudanças constitucionais como suprimir a figura dos nove senadores designados por Augusto Pinochet, quatro deles das Forças Armadas, e a figura dos senadores vitalícios, mediante a qual o ditador figurou como tal por oito meses.

As demandas sociais foram impulsionadas pelas manifestações de massa estudantis. Cinco dirigentes estudantis foram eleitos deputados, mas analistas dão como certo que as manifestações prosseguirão.

O principal fracasso do presidente Sebastián Piñera foi o manejo dos protestos universitários, que fizeram greves, ocuparam escolas e provocaram uma mudança de gabinete. Seu índice de aprovação, que se encontrava em boa forma pelo resgate dos 33 mineiros, foi à lona.

O primeiro governo de Bachelet caracterizou-se por ampliar os benefícios sociais ao conceder assistência médica gratuita a maiores de 60 anos, aumentar as pensões e oferecer aposentadoria a donas de casa.

Ela também enfrentou a ira da Igreja Católica por permitir a distribuição da pílula do dia seguinte. Em novembro, a história pareceu se repetir: pouco antes do primeiro turno, a Conferência Episcopal, junto com políticos e aliados, exortou o eleitorado a não votar em candidatos que estivessem de acordo com o casamento de homossexuais e o aborto nos casos assinalados.

O apelo não afetou a votação de Bachelet num país de 17 milhões de habitantes, cada vez mais secular, que já foi considerado o mais conservador da América Latina.

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Tudo o que sabemos sobre:
ChileMichelle Bachelet

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.