Grandes empresas querem barrar acordo sobre tabaco

As grandes empresas de cigarro do mundo estão tentando impedir a conclusão de um acordo internacional sobre o controle do tabaco, que deverá estar pronto até março do ano que vem e que está sendo negociado com a liderança do Brasil. A denúncia foi feita nesta segunda-feira por um grupo de mais de 70 organizações não-governamentais (ONGs) que pede que os países resistam à pressão das empresas ao negociar o tratado. Segundo as ONGs, a Philip Morris, a Japan Tobacco e a BAT têm usado seus poderes políticos e econômicos para "convencer" países a tomarem posições que enfraqueçam o acordo para o controle do tabaco, que se negocia esta semana em Genebra. O Japão, por exemplo, afirmou que irá se opor à idéia de combater o fumo por meio de um acordo internacional. As ONGs lembram, porém, que o governo do país é dono de 67% das ações da Japan Tobacco, uma das maiores empresas de cigarro do mundo. Pela constituição do Japão, o governo é obrigado a promover suas indústrias, mesmo aquelas que podem trazer conseqüências negativas à saúde. O relatório ainda mostra que as maiores empresas ainda teriam subornado alguns governos, como o do Malawi, para adotar políticas que criem problemas para a conclusão do tratado internacional até 2003. Mas as estratégias das empresas não são apenas no sentido de corromper governo. No Brasil as ONGs alegam que as empresas de cigarro estão "incentivando" os produtores de fumo do Rio Grande do Sul a protestarem ao governo contra o acordo e contra o fato do País presidir as negociações mundiais. De fato, nas negociações desta semana em Genebra, a indústria do fumo brasileira enviou seus representantes para fazer seu lobby junto ao governo e garantir que suas vendas não sejam afetadas. O País é um dos maiores exportadores de fumo do mundo e parte substancial da economia de várias regiões do Rio Grande do Sul dependem dessas exportações.

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