Grandes partidos da Colômbia perdem nas eleições legislativas

Os grandes partidos colombianos, o Liberal e o Conservador, sofreram um duro golpe nas eleições legislativas de domingo, perdendo várias cadeiras para candidatos independentes - um resultado que poderá impulsionar o candidato independente Alvaro Uribe na disputa à presidência. Houve uma abstenção de 56% dos eleitores. O liberalismo, apesar de continuar como a maior força na Câmara, sofreu uma dura derrota no Senado, pois passou das 56 cadeiras que obteve em 1998 a apenas 30 na votação de domingo, apurados 95% dos votos.O Conservador, partido do presidente Andrés Pastrana, perdeu 4 cadeiras no Senado, passando de 17 para 13 - um resultado que levou à renúncia do líder Carlos Holguín. O restante do total de 102 cadeiras em disputa no Senado foi dividido entre um punhado de partidos independentes, indígenas e diferentes coalizões cuja tendência, perto das eleições presidenciais de 26 de maio, é incerta. Portanto, nos próximos dias poderão ocorrer adesões dos eleitos a um dos candidatos presidenciais.O espaço deixado pela queda dos partidos tradicionais foi ocupado por independentes, vários deles associados a Uribe, um político de direita que, segundo as últimas pesquisas, tem 60% das intenções de voto - um fato inédito no país.O panorama ficou complicado para o candidato liberal Horacio Serpa, que contava com as eleições de domingo para recompor uma base de apoio, algo que não conseguiu. Serpa indicou que tem o apoio de 30 dos senadores eleitos e Uribe disse que tem de 27 senadores, mas outros 18 poderão respaldá-lo nos próximos dias, o que o aproximará da metade simples do Senado.Apesar do medo de que as guerrilhas pudessem sabotar as eleições, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) respeitaram parcialmente o processo eleitoral, realizando algumas ações em suas áreas de influência. A líder do Partido Conservador, Gloria Polanco, seqüestrada pelas Farc desde julho, foi eleita com o maior número de votos para a Câmara pelo departamento (estado) de Huila. Outros cinco deputados estão em poder das Farc, além da candidata presidencial independente Ingrid Betancourt.

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