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Gravações revelam preconceito de Nixon por judeus e negros

Em conversas com assessores, presidente também fez comentários depreciativos sobre[br]ítalo-americanos

, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2010 | 00h00

O presidente americano Richard Nixon (1969-74) fez observações depreciativas sobre judeus, negros, ítalo-americanos e irlandês-americanos em conversas com assessores do primeiro time e sua secretária pessoal, gravadas no Salão Oval 16 meses antes de ele renunciar à presidência. As observações estão contidas em 265 horas de gravações, divulgadas na semana passada pela Nixon Presidential Library and Museum.

Apesar de gravações anteriores já terem detalhado a antipatia de Nixon para com os judeus, incluindo os que serviram em seu governo como Henry Kissinger, essas fitas revelam a complexidade do sentimento de Nixon. Ele e seus assessores fazem distinção entre judeus israelenses, aos quais Nixon admirava, e os judeus americanos.

Numa conversa em 13 de fevereiro de 1973 com Charles W. Colson, um consultor sênior que havia acabado de dizer a ele que tinha "um pequeno preconceito", Nixon disse que ele não tinha preconceito, mas continuou: "Eu simplesmente reconheci que, você sabe, todas as pessoas têm alguns traços. Os judeus têm alguns traços", disse ele. "Os italianos, é claro, aquela gente tem um parafuso frouxo na cabeça. São pessoas maravilhosas, mas", e sua voz foi sumindo. Depois, Nixon voltou aos judeus: "Os judeus têm personalidade agressiva, provocadora e odiosa."

Uma mostra do relacionamento complexo de Nixon com os judeus se evidencia na visita de Golda Meir, a primeira-ministra israelense, em 1973. Meir agradeceu calorosamente a Nixon pelo tratamento que dera a ela e a Israel. Mas, depois que ela saiu, Nixon e Kissinger rejeitaram seu pedido para que os EUA pressionassem a União Soviética pela liberação de judeus perseguidos ali. "A emigração de judeus da União Soviética não é um objetivo da política externa americana", disse Kissinger. "E se eles colocarem judeus em câmaras de gás na União Soviética, isso não é um problema americano, talvez seja um problema humanitário." Eu sei, disse Nixon. "Não podemos explodir o mundo por causa disso."/ NYT, TRADUÇÃO CELSO M. PACIORNIK

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