Gravidade da gripe suína é moderada, dizem médicos

O número de pessoas infectadas pela gripe suína (Influenza A H1N1) aumentou nos EUA, Europa e América Latina neste final de semana e, no Canadá, a doença teria sido transmitida de um ser humano para porcos. Hoje, o governo da Colômbia confirmou o primeiro caso da enfermidade na América do Sul. Os médicos, contudo, veem a doença como de gravidade moderada.

AE-AP, Agencia Estado

03 de maio de 2009 | 21h06

"A maior parte dos especialistas concordaria que a situação pela qual estamos passando apresenta gravidade de branda a moderada", disse Jon Andrus, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em teleconferência em Washington. "Isso não significa que as coisas não possam mudar rápida e dramaticamente", afirmou.

Um cenário possível é o abrandamento da doença agora e sua volta com força em setembro, quando começa o outono e a temporada de gripe no Hemisfério Norte. É por isso que as autoridades acompanham de perto a situação no Hemisfério Sul, onde é outono agora.

O presidente em exercício da Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, Richard Besser, disse que a infecção está se espalhando tão facilmente quanto a gripe normal. "A boa notícia é que, quando olhamos para este vírus agora, não vemos nele características que estiveram associados no passado a gripes mais severas", afirmou ele.

Nos EUA, foram confirmados 241 casos da doença em 34 Estados. Ontem o número de infectados confirmados girava em torno de 160. As autoridades norte-americanas afirmam que esse forte aumento resulta apenas de resultados de testes de laboratório já feitos que vêm a público e não de uma explosão repentina de novos casos.

No México, onde o surto teria começado, o governo fala em 19 vítimas fatais e pelo menos 506 casos confirmados de pessoas infectadas. De acordo com o secretário de Saúde do país, José Angel Córdova, a doença teria atingido seu auge entre 23 e 28 de abril. Mas o drástico fechamento de locais públicos teria evitado, segundo ele, que a situação piorasse. Córdova disse que o governo decidirá amanhã se permitirá que os estudantes voltem à escola e que as empresas reabram na quarta-feira. "A evolução da epidemia está agora em sua fase declinante", disse o secretário.

Pablo Kuri, epidemiologista que assessora Córdova, disse hoje à Associated Press que os testes confirmaram a primeira morte pela doença em 11 de abril, dois dias antes de que se supunha ter ocorrido a primeira morte. Ele disse também que não houve mortos entre os funcionários do setor de saúde que trataram pacientes com a gripe suína no México, um indício de que o vírus pode não ser tão contagioso quanto se temia.

A gripe provocou um domingo surreal no México. Missas foram celebradas pela televisão, cinegrafistas eram a única plateia de estádios, e parques, museus, restaurantes, teatros e outras atrações permaneceram fechados. Hoje também deveria ser o primeiro dia de campanha para as eleições ao Congresso em 5 de julho, mas toda a atividade eleitoral foi banida das ruas para evitar aglomerações. Os candidatos fizeram propaganda por meio do Facebook, Twitter e YouTube.

No Canadá, autoridades colocaram em quarentena 220 porcos que contraíram a infecção de um funcionário que retornou recentemente do México. Foi o primeiro caso documentado de transmissão do vírus H1N1 de ser humano para uma outra espécie. O Canadá destacou que os porcos pegam a gripe com frequência e que não há perigo em comer carne de porco. No Egito, onde o governo determinou o extermínio de todo o rebanho suíno apesar de não ter sido registrado nenhum caso da doença, houve confronto entre criadores e a polícia.

A China colocou em quarentena mais de 70 mexicanos; Hong Kong isolou 350 pessoas em um hotel após um viajante mexicano ter sido apontado como portador da doença. Em Trinidad e Tobago, a tripulação a bordo de um navio mexicano está isolada desde sexta-feira no porto Point Lisas. O ministério da Saúde do país disse que testes foram aplicados e não apontaram infecção nos navegantes e que o navio deve ser liberado em breve.

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