Gravidez de princesa embaralha sucessão ao trono no Japão

O primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, mostrou pela primeira vez cautela ante a reforma da Lei de Sucessão ao Trono, após o anúncio da gravidez da princesa Kiko, esposa do príncipe Akishino, que poderia dar à luz um possível herdeiro."A lei deve ser promulgada de forma com que satisfaça todas as partes com interesses, depois de o assunto ser abordado com cuidado", disse Koizumi em reunião do Comitê de Orçamentos da Câmara Baixa do Parlamento.Esta é a primeira vez que Koizumi parece dar um passo atrás em seu propósito de levar adiante a reforma dessa Lei, que permitiria o acesso a mulheres ao trono, antes do fim do atual mandato do Parlamento. Segundo a atual Lei de Sucessão, só pode herdar o trono um homem descendente direto do imperador.Vicissitudes da leiA reforma da Lei pretendia atenuar o fato de o primogênito do imperador Akihito, o príncipe herdeiro Naruhito, e sua esposa, a princesa Masako só têm uma filha: Aiko, de quatro anos. Com isso, eles não seriam capazes de dar esse herdeiro.No entanto, esta situação mudou quando a Casa Imperial anunciou a gravidez da princesa Kiko, esposa do príncipe Akishino, irmão mais novo de Naruhito, e o nascimento do bebê para setembro ou outubro.Se for um menino, com a atual lei ainda vigente ele se tornaria o terceiro na linha de sucessão ao trono, após o príncipe herdeiro Naruhito e seu irmão (e pai da criança) Akishino.Logo após o anúncio da gravidez e sua influência no plano de reforma da Lei de Sucessão, Koizumi ressaltou que faria todo o possível para levá-la adiante nos próximos meses, antes da atual sessão ordinária do Parlamento."Acho que deveríamos permitir que as mulheres e seus descendentes reinassem, pelo bem do sistema imperial, que é o símbolo do Japão, a fim de garantir uma sucessão imperial estável", disse ontem Koizumi.Em novembro, um comitê de analistas recomendou ao governo uma mudança legal para que seja permitido que reine o filho primogênito do imperador, independentemente do fato de ser homem ou mulher, assim como seus descendentes, mesmo que sejam fruto do casamento com um plebeu.Para Koizumi, a pronta promulgação da nova lei permitiria que Aiko fosse educada para ser imperatriz do Japão, a primeira desde o século XVIII.No entanto, como ressaltou a agência Kyodo, as palavras do primeiro-ministro sugerem que ele pensou nas dúvidas que existem em seu próprio governo sobre a conveniência de apresentar em breve o projeto de emenda da Lei de Sucessão.Consenso nacional"Por acaso é necessário que levemos adiante esta reforma durante a atual sessão do Parlamento?", indagava na sexta-feira o ministro de Assuntos Exteriores japonês, Taro Aso.O titular de Finanças, Sadakazu Tanigaki, propôs um "consenso nacional" antes de tomar uma decisão. O ministro da Justiça, Seiken Sugiura, foi mais claro: "A proposta de reforma poderia pôr fim à até agora inquebrantável linha de soberanos".Embora enquetes apontem que 70% da população japonesa apoiaria essa mudança da Lei para permitir que uma mulher assumisse, a oposição à idéia é forte em alguns dos grupos tradicionalistas mais poderosos do país.À frente deles aparece o próprio primo do imperador, o príncipe Tomohito Mikasa, que disse recentemente que o Japão deve conservar a linha de sucessão patrilinear, e que se deve pensar a possibilidade de adoção de algum membro da nobreza ligado por sangue ao imperador.Mikasa é casado com a irmã de Aso, um dos "falcões" do governo de Koizumi e candidato a sucedê-lo quando este deixar o cargo, em setembro. Além disso, ele é líder de uma das facções mais conservadoras do governamental Partido Liberal Democrata (PLD).

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