Grécia apura se terror causou incêndio

Procurador grego estuda usar lei antiterrorismo para processar supostos responsáveis; mortos passam de 60

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

Atenas - O procurador grego responsável por casos de terrorismo e crime organizado, Dimitris Papangelopoulos, pediu ontem que seja investigado se os incêndios florestais - que mataram 63 pessoas desde sexta-feira e deixaram a Grécia sob estado de emergência - podem ser considerados atos de terror. O governo suspeita que parte dos incêndios seja criminosa e caso consiga usar a lei antiterror do país, terá poderes mais amplos de investigação e detenção. Pelo menos sete pessoas foram presas até agora, acusadas de envolvimento nos incêndios. Veja galeria com imagens dos incêndios na GréciaO anúncio de Papangelopoulos é uma tentativa do governo de rebater as críticas sobre sua atuação numa das piores tragédias do país. Ontem, cerca de 2 mil manifestantes protestaram em Atenas, acusando o governo de incompetência. "Como isso pôde acontecer conosco? Não houve planejamento nenhum e agora temos 63 mortos", disse Nicoleta Petsa, de 30 anos, que levou os dois filhos à manifestação organizada por grupos da esquerda.Jornais gregos estamparam ontem manchetes como: "Incompetentes! Luto pelos mortos. Revolta com a ausência de Estado" e "Vergonha pelo colapso do Estado". A pouco mais de duas semanas das eleições parlamentares, o partido governista Nova Democracia mantém uma vantagem de apenas 1,5 ponto porcentual sobre o Movimento Socialista Pan-Helenista (Pasok) da oposição. Além do endurecimento das investigações, o governo ofereceu, no sábado, recompensas de até 1 milhão para quem ajudar a localizar os autores dos supostos atos criminosos.No quarto dia de incêndios, milhares de gregos continuavam a abandonar suas casas para fugir das chamas que se espalhavam rapidamente. Várias cidades, no entanto, ficaram isoladas pelo fogo. "Estamos queimando! Onde estão os helicópteros?", gritou um homem desesperado em seu telefone celular no vilarejo de Frixa. "Está vindo, olhe!", disse uma mulher coberta de fuligem na localidade de Skillountia, com o fogo a cerca de 500 metros de distância. "Para onde vou? Se o fogo chegar mais perto terei de abandonar minha casa, que é tudo o que tenho."As autoridades gregas enviaram helicópteros para resgatar pessoas cercadas pelo fogo em vilarejos isolados. Aviões com ajuda chegaram ontem da França, Espanha e Itália. Bombeiros de Chipre, França e Israel foram enviados para a Grécia no domingo.Na Península do Peloponeso, a área mais atingida do país,focos de incêndio arrasaram florestas, plantações de oliveiras e destruíram povoados. De acordo com as autoridades gregas, a destruição é tão extensa que ainda é impossível avaliar danos materiais ou fazer uma estimativa do número total de mortos. No domingo, bombeiros conseguiram impedir que o fogo destruísse as ruínas de Olímpia, berço dos jogos olímpicos.

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