Grécia faz eleição sob impacto do fogo

Incêndios derrubam favoritismo do governo para a votação de amanhã; partidos pequenos ganham popularidade

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 00h00

Os recentes incêndios florestais, além da perspectiva de reformas econômicas dolorosas que tanto o governo conservador como a oposição socialista prometem adotar, dominaram a campanha para a eleição parlamentar de amanhã na Grécia. Os dois principais partidos temem que os eleitores os abandonem em protesto.A eleição, que será realizada seis meses mais cedo, é uma disputa entre o primeiro-ministro conservador Costas Karamanlis, de 51 anos - que chegou ao poder em 2004 como o mais jovem chefe de governo do país -, e o ex-chanceler socialista George Papandreou, de 55 anos.As pesquisas indicavam um aumento da popularidade dos partidos menores, um deles acusado de cultivar idéias anti-semitas e racistas. Isso poderia resultar num Parlamento dividido e na necessidade de outra eleição. Ambos os líderes tentaram atrair os eleitores insatisfeitos. Analistas dizem que eles podem ter conseguido.Papandreou dirige o partido Pasok, fundado por seu pai, o ex-primeiro-ministro Andreas Papandreou - um líder carismático mais conhecido pela retórica antiamericana. E Karamanlis é sobrinho do ex-primeiro-ministro Constantine Karamanlis, que chegou ao poder nos anos 50. As duas famílias se alternaram no poder nas últimas cinco décadas; à exceção da ditadura militar de 1967-74, um Karamanlis ou um Papandreou liderou a Grécia por 30 dos 45 anos de governo democrático desde 1955.Karamanlis parecia ter a reeleição garantida quando pediu a antecipação da votação, em meados de agosto. Seu partido, Nova Democracia, liderava as pesquisas havia seis anos. Duas semanas depois, porém, incêndios catastróficos varreram o país, matando 65 pessoas e devastando mais de 200 mil hectares de floresta. Seu governo foi abalado por acusações de incompetência na resposta à tragédia. "Há muita insatisfação com o partido governante. Em muitos casos, eles poderiam ter detido o fogo, mas não fizeram nada", disse Giorgos Panagopoulos, um açougueiro de Platanos, vila destruída pelas chamas. As últimas pesquisas publicadas antes do período de silêncio de duas semanas (e logo depois dos incêndios) mostraram o aumento do apoio aos partidos menores, como o direitista Aliança Ortodoxa Popular, de Giorgos Karatzaferis. Karamanlis ainda estava na frente, mas por pequena margem. Uma pesquisa de 31 de agosto atribuiu 37,4% das intenções de voto à Nova Democracia e 36% ao Pasok, com 10% de eleitores indecisos. Karamanlis tentou atraiu os indecisos dizendo que não formará uma coalizão com nenhum partido se a Nova Democracia não conquistar a maioria no Parlamento de 300 membros - o que poderia levar a novas eleições.

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