EUROKINISSI/REUTERS
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Grécia lança ofensiva contra extrema direita após morte de rapper

Membro do Aurora Dourada confessou ter matado rapper antifascista, em crime que revoltou o país

O Estado de S. Paulo,

19 Setembro 2013 | 16h11

ATENAS - O governo da Grécia lançou ontem uma ofensiva contra o partido de extrema direita Aurora Dourada, após um militante da facção ultrarradical ter matado a facadas um rapper antifascista. A morte de Pavlos Fyssas, de 34 anos, provocou uma onda de comoção na Grécia, em meio a temores de que o país, duramente afetado pela crise do euro, caminhe cada vez mais para o extremismo político.

Um membro do Aurora Dourada foi preso e confessou ter matado o músico na quarta-feira. Ontem, o funeral do rapper, conhecido como Killah P, reuniu mais de 2 mil pessoas em Atenas. Revoltados, os simpatizantes de Fyssas disseram palavras de ordem contra a legenda. “Porcos! Fascistas! Assassinos!” gritavam. Ao longo da madrugada, houve protestos violentos no país.

O primeiro-ministro Antonis Samaras fez um pronunciamento em rede de rádio e TV para condenar a violência política no país. “Meu governo está determinado a não permitir que os herdeiros do nazismo envenenem nossa vida social, cometam crimes e aterrorizem os fundamentos de uma nação que deu luz à democracia”, disse.

"Prepararemos uma legislação para que possamos lidar com isso como caso de polícia”, acrescentou o porta-voz do governo Simos Kedikoglou.

Membros do alto escalão do Aurora Dourada já expressaram publicamente apreço pelo ditador nazista Adolf Hitler, mas negam que o partido seja neonazista. O partido obteve 7% dos votos na eleição do ano passado e tem 18 deputados no Parlamento grego. As últimas pesquisas indicam que a legenda conta com a simpatia de 12% da população.

O ministro da Ordem Pública, Nikos Dendias, acusou os membros do Aurora Dourada de colocar a segurança do país em risco. “Essa atividade vai além de incidentes isoladas e é uma afronta à autoridade da lei, aos direitos humanos e à segurança do país”, disse.

Dendias enviou à Suprema Corte uma denúncia de 32 crimes cometidos por membros do Aurora Dourada, que incluem intimidação e agressão. Entre os casos citados, há o registro de ameaças a professores de uma pré-escola que atende filhos de imigrantes.

O chefe do Conselho da Europa – o principal órgão da UE para direitos humanos –, Thorbjoern Jagland, fez duras críticas ao Aurora Dourada. “Um partido membro do Parlamento que tem discurso de ódio e patrocina atos de violência é um caso muito muito grave”, disse. “Oferecemos ajuda ao governo grego e eles se mostraram interessados.”  / AP e REUTERS

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