EFE/EPA/PANAGIOTIS BALASKAS
EFE/EPA/PANAGIOTIS BALASKAS

Grécia reforça fronteira com a Turquia enquanto tenta controlar protesto anti-imigração

Ilhas gregas de Lesbos e Chios registram mais de quatro dias de protestos contra a construção de novos campos de imigrantes; Pelo menos 52 policiais ficaram feridos durante atos

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 07h41

ATENAS - Enfrentando protestos contra a construção de campos de imigrantes nas ilhas do Mar Egeu, a Grécia aumentou suas patrulhas na fronteira com a Turquia nesta sexta-feira, 28. A medida foi tomada após o anúncio de Ancara de que não vai mais impedir o fluxo de imigrantes rumo às nações da União Europeia (UE). Segundo uma fonte da polícia grega, o número de patrulhas duplicou.

A abertura de fronteiras turcas aumenta a tensão na Grécia, que enfrentou nessa quinta-feira, 27, o quarto dia consecutivo de protestos nas ilhas gregas de Lesbos e Chios. Pelo menos 52 policiais ficaram feridos durante os atos, que tentam pressionar para que novos campos de imigrantes não sejam construídos em seus territórios.

O primeiro-ministro do país, Kyriakos Mitsotakis, recebeu uma delegação de prefeitos de ilhas do Egeu que buscam uma solução para a crescente tensão. Os prefeitos e o primeiro-ministro concordaram que há “necessidade imediata de aliviar a superlotação de imigrantes nas ilhas. O gabinete do primeiro-ministro anunciou que vai visitar as ilhas nos próximos dias, começando por Samos, que tem o maior problema de superlotação.

Na quarta-feira, os protestos terminaram em violência quando centenas de manifestantes armados com espingardas, bombas de gasolina e pedras atacaram policiais que faziam a guarda dos canteiros de obras dos campos de refugiados planejados pelo governo.

Uma multidão também sitiou durante horas um acampamento do exército nacional em Lesbos, onde estavam os esquadrões de choque. Em Chios, um grupo invadiu um hotel que estava sendo usado pelas forças de segurança e espancaram policiais que estavam descansando em seus quartos.

O governo anunciou que vai iniciar a retirada dos policiais de choque das ilhas ainda nesta semana. Contudo, reafirmou que continuará com o plano de combate à imigração que já está em curso, que inclui a construção de centros de detenção, a aceleração dos procedimentos de deportação e asilo e a intensificação do controle das fronteiras.

“É o único plano que pode ser implementado”, disse o primeiro-ministro grego durante uma reunião de gabinete nesta quinta. Mitsotakis também condenou os ataques a policiais durante os protestos nas ilhas, dizendo que quem participou das agressões “será localizado e responderá por suas ações.”

“Ao mesmo tempo, contudo, incidentes excessivamente violentos supostamente cometidos pela polícia serão investigados”, disse Mitsotakis. E completou: “Acusações sérias foram feitas e nós temos o dever de investigá-las.”

O primeiro-ministro ainda afirmou que ordenou um “aumento significante” do número de barcos-patrulha e patrulhas por terra. A medida foi justificada como sendo de saúde pública pelo novo coronavírus, uma vez que alguns dos imigrantes chegam do Irã, onde casos da doença aumentaram significativamente nos últimos dias.

As ilhas gregas orientais do Mar Egeu tem sido a principal porta de entrada para a União Europeia para dezenas de milhares de pessoas que fogem da pobreza e de conflitos armados no Oriente Médio, África e Ásia.

Um acordo de 2016 entre a UE e a Turquia estabeleceu que novos imigrantes deveriam ser mantidos nas ilhas, sendo deportados de volta para a Turquia até o processamento dos pedidos de asilo.

Longos atrasos no processo de asilo e o aumento do fluxo de imigrantes levou a uma séria superlotação dos campos de imigrantes nas ilhas, que estão com a capacidade excedida. Moradores das ilhas pedem que todos os imigrantes sejam transferidos para uma ilha principal e que não seja construído nenhum novo campo de imigrantes em seus territórios. / AP e AFP

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