Grécia vive dia de protestos contra plano de austeridade

Sob pressão de manifestações e greve geral, deputados debatem medidas impostas de aperto impostas por credores.

BBC Brasil, BBC

15 de junho de 2011 | 06h39

Dezenas de milhares de manifestantes são esperados nesta quarta-feira em um protesto em frente ao Parlamento grego, que debaterá medidas de austeridade fiscal impostas pelos credores do país.

Membros do chamado Movimento Indignado prometeram cercar o prédio do Legislativo, em Atenas, para dificultar o acesso dos deputados ao plenário.

Mas a polícia cercou um parque nacional que dá acesso ao Parlamento, possibilitando a passagem dos legisladores.

Do lado de fora do prédio, os manifestantes faziam gestos obscenos e gritavam palavras de ordem, chamando os deputados e a classe política do país de "kleftes", ou ladrões.

As duas principais centrais sindicais do país conclamaram uma greve geral e prometeram engrossar a manifestação.

Medidas impopulares

As medidas de aperto têm como finalidade gerar uma economia de 6,5 bilhões de euros neste ano através do aumento de impostos e corte de gastos públicos.

Em troca, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) concordariam em liberar uma parcela de 12 bilhões de euros para que o governo grego possa pagar dívida que vence no curto prazo.

"Todos os gregos, em particular a geração mais jovem, quer que lutemos com todas as nossas forças para evitar uma bancarrota desastrosa que minará o futuro do país", disse o porta-voz do governo grego, George Petalotis.

"Estamos batalhando para servir o bem comum, no momento mais crucial da moderna democracia do país."

O correspondente da BBC em Atenas, Malcolm Brabant, disse que o governo socialista está tentando evitar uma "rebelião" dentro dos seus próprios quadros.

Na quarta-feira, o deputado George Lianis anunciou que deixava o partido para se tornar independente, deixando o governo com uma maioria de apenas cinco votos entre as 300 cadeiras do Parlamento.

"Você precisa ser cruel como um tigre para votar por essas medidas e eu não sou", disse o deputado e ex-ministro de Esportes, ao anunciar sua mudança.

Pelo menos outro deputado socialista ameaçou votar contra o programa de cortes e privatizações.

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, comparou a situação da Grécia com a de um país em guerra, dizendo que está determinado a "vencer" as dificuldades econômicas que o país enfrenta.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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