Gregori afirma que desigualdade é histórica

O ministro da Justiça, José Gregori, afirmou ontem à noite no plenário da Conferência Mundial contra o Racismo que "o Brasil ainda sofre os efeitos de uma desigualdade que tem suas raízes em seu passado colonial, no abominável capítulo da escravidão e em todas as injustiças perpetradas contra os nativos brasileiros ao longo de vários séculos". A consolidação da democracia, afirmou Gregori, possibilitou a discussão de questões que fortalecem o projeto de construir uma sociedade mais justa, dentro da diversidade de cores, crenças e opiniões que caracterizam o País. "O presidente Fernando Henrique Cardoso abriu uma nova fase no tratamento da questão racial, ao admitir a existência e os efeitos negativos do racismo e da discriminação racial", disse o ministro.Gregori lembrou que o governo brasileiro admitiu no Comitê para a Eliminação Racial, em 1995, que o País ainda está se esforçando para ser uma democracia racial. "Temos muito a fazer nesse sentido - e já temos feito - mas o Brasil ainda não é o país que nós queremos, um país sem discriminação e sem preconceitos", afirmou. A delegação brasileira enviada a Durban reflete, segundo o ministro da Justiça, a diversidade étnica e cultural existente no País, assim como uma tradição de tolerância. "O governo e a sociedade mobilizaram-se para trazer à África do Sul uma contribuição legítima e construtiva", disse Gregori, revelando que, pela primeira vez na história, promoveu-se uma conferência nacional na qual governo e sociedade civil se uniram para identificar os problemas e propor medidas para eliminar o racismo e a intolerância. Gregori elogiou a designação de Durban para sede da Conferência Mundial contra o Racismo. "A África do Sul é a evidência de que a justiça é um objetivo atingível, porque está construindo uma ordem social e política baseada na democracia, depois de haver sofrido, durante décadas, uma das mais odiosas formas de discriminação racial, o apartheid", disse o ministro.

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