Fredrik Sandberg/TT News Agency/via REUTERS
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Greta diz que Bolsonaro 'fracassou na hora de assumir a responsabilidade' durante pandemia

Ativista ambiental sueca pede solidariedade internacional na distribuição de vacinas e critica duramente gestão do presidente brasileiro, que ignorou comentário

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2021 | 20h04

GENEBRA - A ativista ambiental Greta Thunberg pediu, nesta segunda-feira, 19, solidariedade internacional na distribuição de vacinas e criticou duramente a gestão do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante a pandemia de covid-19

"Não acho que devemos focar em pessoas, porque o problema é maior do que é isso. Mas é claro que Jair Bolsonaro tem grande responsabilidade com relação ao clima e meio ambiente. E nós podemos ver quais foram as respostas do Brasil durante a pandemia", disse a ativista. "Eu posso seguramente dizer que ele fracassou em assumir a responsabilidade necessária para garantir as condições de vida atuais e futuras da humanidade."  

A declaração foi dada após a ativista sueca ser questionada sobre a posição de Bolsonaro no combate à crise climática e à pandemia de coronavírus em entrevista coletiva da Organização Mundial da Saúde (OMS). Greta pediu solidariedade aos países que já vacinaram seus grupos de risco contra a covid-19, para que compartilhem doses com outros países. "É o mais razoável que pode ser feito. É preciso proteger, priorizar os mais vulneráveis e os que trabalham na linha de frente, não importa o país em que estão", analisou a ativista.

No evento, a OMS anunciou que Greta doou € 100 mil (R$ 668 mil) ao consórcio Covax, que tem como objetivo financiar a compra de vacinas e sua distribuição entre os países de renda média e baixa que não têm capacidade econômica para competir com os ricos ao negociar com as farmacêuticas no mercado internacional.

Greta Thunberg, que reside em Estocolmo, disse que muitas pessoas ficarão frustradas se seus governos compartilharem as vacinas, mas ressaltou que as mais vulneráveis precisam ser priorizadas.

"Claro que quero voltar a ter uma vida normal, e todo mundo que eu conheço quer o mesmo, mas precisamos agir com solidariedade. A única decisão moral e correta que se pode tomar é priorizar os mais vulneráveis, sem importar onde vivem", expressou.

"Temos ferramentas ao nosso alcance para corrigir o enorme desequilíbrio que existe hoje no mundo no combate à covid-19. Assim como com a mudança climática, devemos ajudar os mais vulneráveis em primeiro lugar", destacou Greta, que se tornou uma estrela do combate à mudança climática depois de lançar um movimento de greves escolares para exigir mais ações contra o aquecimento global por parte dos Estados.

Questionada se apoiaria uma manifestação de jovens que se negam a tomar a vacina para que as doses sejam enviadas a países pobres, Greta comentou que a distribuição injusta das vacinas "não é uma questão de indivíduos, mas um problema que deve ser resolvido pelos governos e pelas farmacêuticas".

"Se começarmos a pedir aos jovens para que não se vacinem, isso transmitirá uma mensagem equivocada. Certamente, todos que receberem a oferta da vacina deverão aceitá-la", acrescentou. 

"Incentivo a comunidade mundial a seguir o exemplo de Greta e fazer o que puder, em apoio ao Covax, para proteger os mais vulneráveis desta pandemia", insistiu o secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Tedros denunciou que em alguns países ricos, um quarto da população já está vacinada contra a covid-19 enquanto nos países pobres essa proporção é de 1 a cada 500 pessoas./EFE e AFP  

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