Christophe Ena/AP
Christophe Ena/AP

Greve contra Macron enche Paris de lixo

Ação de garis contra reforma previdenciária levou ao acúmulo de toneladas de resíduos

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 07h00

Latões de lixo transbordando, mau cheiro e uma proliferação de ratos é o que se vê hoje em Paris, centro mundial de arte, moda, gastronomia e cultura. Toneladas de lixo se acumularam nos últimos dez dias na capital francesa em razão da greve dos lixeiros e dos trabalhadores de incineradoras contra a reforma da previdência promovida pelo presidente Emmanuel Macron.

“Nada indica que a situação deve ser normalizada, já que os grevistas realizaram uma assembleia e votaram pela manutenção do protesto pelo menos até sexta-feira”, disse Julien Lambert, da Confederação Geral do Trabalho (CGT), um dos maiores sindicatos da França.

A empresa responsável pela coleta, a Syctom, disse que recolhe diariamente 6 mil toneladas de lixo de aproximadamente 6 milhões de franceses. Mas ontem, enormes sacos pretos e caixas de papelão tomavam as calçadas de vários bairros de Paris, transformando-se em verdadeiros obstáculos. Nem mesmo os pontos turísticos ou a famosa Avenida Champs Elysées, com suas lojas de grife, escaparam da sujeira e do fedor dos restos de comida acumulados na rua por mais de uma semana.

“Francamente, é um nojo. Horrível”, disse o aposentado Joël Bonnet diante de uma montanha de lixo em uma esquina do prestigioso 5.º Distrito de Paris. “É uma greve atrás de outra. É insuportável. É também preocupante ver os ratos nas ruas”, reclamou Catherine Lemoine, moradora do 16.º Distrito.

April Wood, uma turista americana que estava visitando os pontos turísticos de Paris com seu marido, Andy, também manifestou sua revolta. “Acho que é desapontador, como turista, ter de testemunhar isso.”

Os comerciantes parisienses dizem que, a cada dia, a situação está ficando mais difícil de se contornar. “Conservamos uma parte de nosso lixo no porão, pois já não há onde colocá-lo. Se a greve continuar, vai ficar complicado”, afirmou León Castro, funcionário de um restaurante.

“O mau cheiro é insuportável”, reclamou Laurent Zhang, também funcionário de um restaurante no centro de Paris, que já não sabe o que fazer com o lixo que se acumula diante de sua porta nem com os ratos que são atraídos pelos resíduos.

Na cidade portuária de Marselha, onde funcionários em greve há dez dias bloqueiam os centros de classificação de resíduos, já foram amontoadas 3 mil toneladas de lixo nas ruas, segundo as autoridades locais.

A cidade impôs aos sindicatos um nível mínimo de serviço e instalou grandes recipientes de lixo para tentar evitar que os moradores joguem os resíduos nas ruas.

Os lixeiros iniciaram a greve em razão da proposta do governo de fundir os 42 planos de aposentadorias diferentes e incluir os funcionários que têm direito de se aposentar antecipadamente – como os motoristas de trens, os funcionários da Ópera de Paris, entre outros. 

Os condutores de trens suspenderam seu protesto no mês passado, após 47 dias consecutivos de greve no metrô de Paris e nos trens interurbanos que causaram dor de cabeça a milhões de pessoas na capital.

Macron assegura que sua reforma é necessária para tornar o sistema de aposentadoria – um dos mais generosos da Europa – mais sustentável. Os críticos dizem que o presidente quer fazer os franceses trabalharem por mais tempo – até os 64 anos para uma pensão integral – para depois receberem uma aposentadoria reduzida. / REUTERS e AFP

 

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