Greve contra reforma na França deve ir até semana que vem, diz rádio

Sindicatos se unem contra reforma da previdência, que deve ser votada no Senado nesta quinta

Agência Estado

21 de outubro de 2010 | 11h48

Estudantes aderem à greve e protestam em Bordeaux, no sul da França.

 

PARIS - Os sindicatos da França afirmaram nesta quinta-feira, 21, que manterão sua luta contra a reforma previdenciária na semana que vem, mesmo que a lei seja aprovada, informou a Radio France Internacional (RFI) em seu site. "Não há razão para parar os protestos", disse Bernard Thibault, líder da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), a principal central sindical do país. Segundo ele, a ação de greves deve ganhar nova força na próxima semana.

 

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Os sindicatos devem se reunir nesta tarde para decidir sobre o próximo dia de protestos contra a intenção do presidente Nicolas Sarkozy de elevar a idade mínima para aposentadoria no país, de 60 para 62 anos. A idade mínima para se receber a aposentadoria integral também deve subir, de 65 para 67 anos. O governo alega que precisa conter o déficit orçamentário, mas os trabalhadores reclamam, dizendo que sofrem injustamente com o desequilíbrio nas contas públicas.

 

Na terça, mais de um milhão de pessoas foi às ruas no país, no sexto dia de ações contra a medida desde setembro. Segundo a RFI, na manhã desta quinta-feira havia manifestantes bloqueando vias importantes para o transporte e depósitos de combustível. Os manifestantes estão utilizando táticas de "gato e rato" para tentar escapar da polícia, nas palavras dos próprios sindicatos, informou a rádio.

 

Logo pela manhã, trabalhadores bloquearam rapidamente o aeroporto de Marselha, causando longas filas e atrasos nos voos. Em Toulon, também no sul do país, manifestantes bloquearam um arsenal militar, permitindo apenas a entrada de militares. Os serviços de trens e ônibus também foram prejudicados.

 

A RFI informa ainda que as 12 refinarias do país seguem paradas e um quarto dos postos de combustível não têm o produto para vender. O Ministério da Educação informou que pelo menos 312 escolas de ensino médio foram atingidas por protestos de alunos nesta quinta-feira.

 

Em Lyon, jovens franceses voltaram a se enfrentar com a polícia. Os manifestantes viraram um carro e atiravam pedras e garrafas contra as forças de segurança. A polícia respondia aos ataques usando bombas de efeito moral.

 

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A rádio afirma ainda que mais problemas são esperados para os postos na sexta-feira, quando muitas pessoas devem tentar abastecer para viajar, aproveitando o período de férias escolares.

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