Greve convocada pela oposição deixa três mortos no Líbano

Mobilizados por uma greve geral convocada para derrubar o governo pró-EUA do primeiro-ministro Fuad Saniora, membros da oposição libanesa liderados pela milícia xiita Hezbollah paralisaram o país nesta terça-feira, espalhando confrontos que podem ter deixado dezenas de feridos. Pelo menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nos embates.Previsto para ser uma paralisação pacífica, o protesto, que se espalhou por todo o país, tornou-se o mais violento confronto entre oposicionistas e apoiadores de Siniora desde que forças pró-Síria e o Hezbollah lançaram uma campanha para que o premier renuncie. Milhares de manifestantes da oposição bloquearam as principais vias de Beirute e de várias regiões do país, queimando pneus e carros e deixando milhares de trabalhadores e motoristas impossibilitados de chegarem a seus trabalhos, numa tentativa de impor a greve geral à força.Além disso, os seguidores da oposição libanesa bloquearam o aeroporto internacional Rafik Hariri de Beirute, o que levou algumas companhias a cancelarem seus vôos, segundo a imprensa local.Em algumas áreas no interior do país, apoiadores do governo e opositores se agrediram com pedradas e luta corporal. Também houve troca de tiros.Segundo a polícia, três pessoas morreram e mais de 44 foram baleadas em embates em cidades no centro e norte do Líbano. Entre os feridos estariam dois guarda-costas de um importante político governista.Milhares de policiais e soldados do Exército libanês foram enviados para todo o país em uma tentativa de abrir estradas e acabar com os confrontos. Em alguns casos, os militares negociaram a abertura das vias, que foram liberadas. Em outros, foi necessário utilizar de violência.Nova coalizãoA greve desta terça-feira foi convocada pelo líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, e outros líderes da oposição, que demandam a formação de uma nova coalizão de governo. O objetivo, dizem analistas, é conseguir o poder de veto dentro do governo, de forma a impossibilitar medidas contra a ingerência da Síria no país. Mas Saniora e seus seguidores exortaram todos os libaneses a ignorar a convocação.Teme-se que a escalada de violência alimente as diferenças políticas e religiosas em um país amplamente dividido entre árabes sunitas, xiitas e cristãos.Texto atualizado às 15h55

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