Greve custa até 400 milhões de euros por dia, diz França

Os protestos contra o governo francês custam à economia até 400 milhões de euros por dia, revelou hoje a própria administração local. O Parlamento da França deve votar nesta semana a versão final da controversa reforma previdenciária, que tem sido o alvo das manifestações dos trabalhadores.

AE, Agência Estado

25 de outubro de 2010 | 12h24

O complexo portuário de Fos-Lavera, o principal do país, estava novamente bloqueado por portuários em greve, interrompendo o abastecimento em um importante oleoduto no sul da Europa. Com os trabalhadores de refinarias em greve também parando a produção de produtos derivados de petróleo, o país sofre com a falta de gasolina e diesel. Cerca de 25% dos 12.300 portos franceses estão com falta de combustível.

Hoje, 38 navios-tanque que transportam petróleo, 19 que transportam produtos refinados, 12 com gás e sete com produtos químicos estavam esperando no Mar Mediterrâneo a reabertura do complexo portuário.

A ministra das Finanças, Christine Lagarde, estimou hoje que a economia está perdendo entre 200 milhões e 400 milhões de euros por dia, conforme as greves continuam. Segundo ela, as ações lideradas pelos sindicatos podem pesar sobre a recuperação econômica francesa da recente recessão global.

A principal entidade do país que representa os empresários, a Medef, advertiu sobre o forte impacto que as greves têm sobre os negócios, apontando para as entregas bloqueadas de bens e matérias-primas por trem e caminhão.

O presidente Nicholas Sarkozy espera vencer esta semana a batalha para elevar a idade mínima para aposentadoria na França de 60 para 62 anos, firmando a lei apesar da previsão de uma nova onda de greves, manifestações e bloqueios para atrapalhar a distribuição de combustível. Os parlamentares devem aprovar a versão final da reforma previdenciária na quarta-feira. Não está claro, porém, se isso pode ou não encerrar os protestos.

Os principais sindicatos do país convocaram outro dia nacional de protestos para esta quinta-feira. Foi ainda convocado um fim de semana de protestos, começando no dia 6 de novembro.

A normalização do abastecimento nos postos estava muito mais demorada que o esperado, ainda que a polícia tenha impedido que manifestantes bloqueassem entradas de até 20 depósitos de combustível. Funcionários do governo previram na semana passada o retorno à normalidade para o início desta semana.

Os sindicatos por trás dos protestos, liderados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), são mais fortes no setor de transportes e energia, apesar de haver leis regulando o mínimo de trabalhadores que devem seguir operando durante os protestos. O transporte ferroviário melhorou hoje, disse um porta-voz da estatal operadora de trens SNCF. Ainda assim, entre 20% e 40% dos trens não estão operando por causa das greves.

O governo francês não informou à Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) que tem intenção de usar suas reservas estratégicas de petróleo para lidar com os problemas de abastecimento causados pelas greves no país, disse hoje o diretor executivo da entidade, Nobuo Tanaka. "Eles não nos informaram sobre qualquer decisão para usar estoques", disse em Moscou o dirigente da IEA, uma entidade sediada em Paris.

"Há muitos estoques de petróleo na Europa, então é uma questão de se a França pode estabelecer a logística do transporte de petróleo para os mercados necessários", avaliou Tanaka. "Eu acho que o problema logístico na França pode ser resolvido", notou ele. "Não acho que a situação possa puxar para baixo os preços do petróleo na Europa."

O impacto das greves na França já está sendo sentido em mercados europeus maiores, puxando para cima os preços da gasolina e do diesel no Mediterrâneo em particular. Por outro lado, as manifestações pressionam para baixo os preços do petróleo, por causa da demanda reduzida. As informações são da Dow Jones.

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