Greve da oposição afeta apenas quatro estados na Bolívia

A paralisação convocada pela oposição boliviana para pressionar o partido do presidente Evo Morales afetou apenas quatro Departamentos (Estados) do país. Apesar da convocação de cinco governadores e de líderes cívicos de oito dos nove Estados, somente Santa Cruz, Beni, Tarija e, em menor grau, Cochabamba aderiram parcialmente à manifestação desta sexta-feira.A oposição protesta contra a imposição, pelo Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo, de que os artigos nova Constituição do país sejam votados por maioria simples na Assembléia Constituinte. O MAS controla 54% dos votos da Constituinte, e a manobra foi caracterizada como golpista, pois contraria a Lei Convocatória, que determina maioria de dois terços para cada artigo.Os maiores protestos ocorreram em Santa Cruz, onde manifestantes ordenaram que lojas e restaurantes fechassem as portas. "A greve é total", garantiu o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Germán Antelo. Já o governo atribuiu a paralisação parcial à intimidação. "Mais uma vez está se forçando e obrigando que a população não saia para trabalhar, por meio de atos de vandalismo, violência e amedrontamento", disse o porta-voz presidencial, Alex Contreras.Segundo a ministra de Interior, Alicia Muñoz, nos Estados de La Paz, Potosí, Oruro, Pando, Chuquisaca e Cochabamba, a situação era de "absoluta normalidade". Em Santa Cruz, Beni e Tarija havia "relativa atividade".Além da paralisação desta sexta, cerca de 300 políticos, líderes estudantis e sindicalistas fazem greve de fome no país contra a posição do MAS na Constituinte. A oposição ameaça fazer uma greve geral a partir do dia 4.A aliança oposicionista Poder Democrático e Social (Podemos) realiza também um bloqueio no Senado, após retirar sua bancada - 13 dos 27 senadores da Casa - pela situação na Constituinte. Na terça-feira, o MAS conseguiu quebrar a paralisação, com auxílio de dois senadores do Podemos e um da Unidade Nacional, e votou a lei de terras, que amplia o poder do governo para realizar a reforma agrária.Governadores de seis dos nove Estados romperam com Evo, por um projeto enviado por ele à Câmara dos Deputados. O texto dá ao Legislativo o poder de fiscalizar os governadores e, se encontradas irregularidades, ao presidente o direito de afastá-los.

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