Greve de fome tem adesão de 10 mil presos em Buenos Aires

Presos de 20 penitenciárias da província de Buenos Aires estão em greve de fome há 12 dias. O protesto teve adesão de 10 mil detentos, que pedem melhorias nas condições do cárcere, agilidade no julgamento dos processos e alterações no Código Penal.Nesta terça-feira, dois presídios federais aderiram à greve. No mesmo dia, o governo de Buenos Aires manifestou temor de que ocorram conflitos entre os rebelados e os presos que não aderiram ao protesto. O ministro da Justiça da província de Buenos Aires, Eduardo Di Rocco, avalia a situação nos presídios como estável, mas não descarta a possibilidade de complicações. "Apostamos no diálogo, mas, se o protesto se prolongar, podem ocorrer incidentes por questões de convivência."A greve de fome começou no dia 21 de setembro, em La Plata, 50 quilômetros ao sul da capital argentina.Direitos HumanosA ONG Comitê contra a Tortura, da Comissão Provinciana pela Memória, apresentou recurso à Justiça nesse domingo, 1º, em defesa dos presos. Eles pedem garantia de atendimento médico e sanitário aos rebelados.O recurso diz que é necessária infra-estrutura de saúde para atender às doenças que começam a surgir nos detentos depois de quase duas semanas sem alimentos.Fontes do Serviço Penitenciário dizem que os presos ingerem apenas líquidos, mas passam bem: "Estão em perfeitas condições de saúde e são examinados periodicamente por médicos."As 39 prisões da província de Buenos Aires abrigam 25.200 detentos, 85% deles com sentenças ainda em julgamento. A população carcerária da província representa mais da metade dos presos de todo o país. A taxa de 200 prisioneiros por 100 mil habitantes é uma das mais altas da América Latina.Instituições humanitárias tem denunciado a falta de infra-estrutura e maus-tratos como os mais graves problemas das prisões argentinas.

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