Greve deixa venezuelanos sem cerveja

A greve geral contra o presidente Hugo Chávez cortou não apenas suprimentos vitais de petróleo, mas também um outro precioso líquido na Venezuela: a cerveja. Desde que a greve começou, em 2 de dezembro, foi cortado o fornecimento de cerveja, pois os maiores produtores do país pararam de fabricar a bebida. E os venezuelanos sedentos da bebida passaram a recorrer ao uísque e a outras opções. "No momento, nós, bebedores, estamos ingerindo coisa fina", brincou Jose Gonzalez, um funcionário público aposentado, depois de pagar US$ 28,00 (cerca de R$ 100,00) por uma garrafa de uísque. "Mas, se a greve continuar, vamos acabar financeiramente quebrados". É um sacrifício para os venezuelanos amantes da cerveja, que gostam de socializar em torno de um copo nas tavernas estilo espanhol ou ter uma gelada para combater o calor tropical. Segundo a Cerveceria Regional, uma subsidiária venezuelana da cervejaria Brahma, do Brasil, a Venezuela é o terceiro produtor de cerveja da América Latina. Per capita, os venezuelanos são os maiores consumidores da bebida na América Latina, com uma média de 80 litros por ano. O México vem a seguir, com 51 litros, e depois o Brasil, com 48 litros. Mas, nesta quarta semana de greve, está ficando difícil, se não impossível, encontrar cerveja nas lojas de bebidas e supermercados. Ainda pode ser encontrada em muitos bares e restaurantes, mas diminuiu a variedade. Os comerciantes reclamam que seus lucros serão tão "chocos" quanto uma cerveja velha, justamente durante a que devia ser a temporada de pico de vendas. "Normalmente, dezembro é o melhor mês do ano para nós. É quando mais vendemos, para festas", disse Marco Dos Santos, dono de uma loja de bebidas em Caracas. "Ainda temos, rum, uísque e vinhos, mas poderão acabar em poucos dias e teremos que fechar". Marco acrescentou que faz duas semanas que sua loja não recebe o produto e que as perspectivas de reabastecimento parecem sombrias. A Empresas Polar, a maior cervejaria da Venezuela e uma das maiores do mundo, parou a produção para apoiar a greve. Recentemente, um armazém da Polar foi invadido por soldados que estavam procurando outros produtos como óleo de cozinha, depois que Chávez ordenou que as autoridades distribuíssem produtos escondidos considerados essenciais para o bem-estar do país. A cerveja não constava da lista, e os soldados encontraram apenas milhares de garrafas aguardando para serem enchidas. A Polar disse que está tomando providências jurídicas para impedir mais invasões.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.