Greve e falsários preocupam os países da zona do euro

Adquirindo um maço de rosas para sua mulher Josiane numa floricultura de um bairro popular de Paris, o primeiro ministro francês Lionel Jospin foi um dos primeiros a utilizar notas e moedas de euros como forma de pagamento no país. O processo de implantação da nova moeda ocorreu sem grandes problemas no feriado de hoje, mas amanhã será o dia do grande teste, principalmente na França, pois os sindicatos dos bancários e dos serviços de correios estão confirmando uma greve geral do setor, o que poderá prejudicar o bom funcionamento do sistema. Dessa forma, os apelos lançados na véspera pelo ministro de Economia, Laurent Fabius, e pelo governador do Banco Central, Jean Claude Trichet, para que a greve fosse suspensa não parecem ter sido levados em consideração. Na noite passada, Trichet revelou que só na França, às 18h, 2,5 milhões de retiradas em euros já haviam sido feitas junto a distribuidores automáticos, o que seria um bom sinal. A seu ver, em quinze dias, 85% da massa monetária francesa será de euros e a quantidade de francos relativamente insignificante. As principais centrais sindicais, CGT, CFDT, FO, SNB e outras que fazem parte da intersindical reconhecem, entretanto, a dificuldade de mobilizar suas forças nesse período de festas de fim de ano, razão pela qual poderão estender o movimento para quinta-feira, caso não consigam reunir 30% de grevistas, o que seria suficiente para perturbar o processo de gradativa implantação da moeda única. Elas estão aproveitando a ocasião para reivindicar melhorias salariais e de condições de trabalho, mas durante a fase das negociações os progressos foram muito pequenos. Se a situação em Paris é menos grave, mesmo porque alguns acordos puderam ser concluídos, espera-se uma maior mobilização em cidades como Marselha, Lille, Toulouse, Lyon. A direção dos estabelecimentos bancários se esforçam para que as agências abram suas portas de qualquer forma, contratando jovens estagiários. Ao mesmo tempo, Europol, a polícia européia, começa a coordenar nos doze países da zona do euro a luta contra os falsários. Espera-se, na verdade, duas grandes vagas de falsificação. A primeira deve ocorrer muito rapidamente, aproveitando o desconhecimento da moeda pelos 304 milhões de consumidores dos países da zona do euro. A falsificação deverá ser grosseira, mas suficiente para que os marginais possam aproveitar de pessoas de boa fé que ainda não sabem identificar as novas notas. Essa primeira vaga não deverá ser muito importante, mas a segunda, esperada num prazo de doze meses será bem mais perigosa, pois serão os profissionais da falsificação que vão tentar passar seus euros falsos em grande quantidade. O euro é a moeda que tem mais sinais de segurança, um número superior ao dólar, o que deverá dificultar sua falsificação. Segundo Patrick Zenders, o belga que preside o Conselho da Direção da Europol, responsável pela segurança, as policias européias haviam levantado apenas quatorze ataques a transportadores de fundos de euros, sendo que apenas dois buscavam obter notas em euros que poderiam servir de modelo para a fabricação de notas falsificadas. A Europol revela que certos grupos em Portugal e no sul da Itália tentaram golpes com cópias de notas sem nenhuma sofisticação, procurando enganar pessoas idosas e ignorantes. Mas a Europol não tem dúvidas que as grandes redes de falsários da Europa do leste, na América Latina na Ásia encontram-se, atualmente, em pleno trabalho. Normalmente, as duas principais moedas mais falsificadas tem sido o dólar e o marco alemão, mas com desaparecimento da moeda alemã e o surgimento do euro, a moeda européia passa para a primeira linha junto com a norte americana. Outro problema será a tentativa de passar euros falsos em países que não fazem parte da zona do euro, onde essa moeda ainda é inteiramente desconhecida.

Agencia Estado,

01 Janeiro 2002 | 16h16

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