Greve em aeroporto na França impede transplante de coração

Avião com equipe médica foi impedido de pousar no aeroporto de Metz para retirar órgão de doadora.

Daniela Fernandes, BBC

12 de abril de 2012 | 17h18

Uma greve de operadores de voo em um aeroporto na França impediu a realização de um transplante de coração porque o prazo para a cirurgia não poderia mais ser cumprido.

O avião com a equipe médica que deveria buscar o coração doado não conseguiu autorização para pousar no aeroporto em greve e teve que retornar ao local de origem sem o órgão.

O incidente ocorreu no início de abril, mas só foi revelado pela imprensa francesa nesta semana e ganhou grande repercussão no país.

O avião que transportava a equipe médica havia decolado de Nantes, no noroeste da França, para retirar o coração de uma mulher em estado de morte cerebral na cidade de Metz, no leste do país.

O avião deveria depois retornar rapidamente a Nantes para implantar o órgão em uma paciente de 53 anos.

Prazo

Mas em pleno voo a equipe médica foi informada de que o aeroporto de Metz estava fechado em razão de uma greve e que o avião deveria ser desviado para o aeroporto de Nancy, a 48 quilômetros de Metz.

O desvio na rota não permitiria aos médicos cumprir o prazo máximo de quatro horas entre a retirada do órgão e a realização do transplante. Eles então desistiram da operação e voltaram a Nantes.

"O desvio na rota do voo tornou impossível respeitar os prazos de retirada e transplante de um órgão", diz o doutor Olivier Machon, diretor-adjunto do hospital de Nantes.

A mulher que deveria ter recebido o transplante de coração em Nantes, identificada apenas como Brigitte, já tinha ido ao hospital e aguardava a chegada do órgão para ser operada.

"O cirurgião me explicou que o transplante não poderia ser realizado devido a um problema técnico. Inicialmente, achei que era algo relacionado ao coração. Só depois soube que foi por causa de uma greve de aeroporto", diz Brigitte.

Justiça

Ela entrou nesta quinta-feira com uma ação na Justiça, que está sendo examinada pela Procuradoria de Saint-Nazaire, próxima a Nantes.

"Quero saber quem é o responsável por essa falha e que me expliquem quais disfunções ocorreram", diz Brigitte.

O sindicato dos operadores de voo assegura não ter recebido nenhum alerta sobre a chegada do avião e diz que o aeroporto teria sido reaberto por motivos sanitários.

Os operadores de voo estavam em greve para protestar contra a transferência de pessoal para outra cidade.

Segundo Deny Etienne, secretário do sindicato CGT do aeroporto de Metz, houve falhas de comunicação: o piloto do avião médico não teria entrado em contato com a pessoa certa, que estava de plantão em Metz e teria autorizado o pouso.

"Sabemos administrar as prioridades. Casos de resgate de pessoas ou de transporte de órgãos humanos são voos prioritários. Com greve ou não, teríamos aberto o aeroporto para o pouso", diz o sindicalista.

A família da doadora do coração também se diz chocada. "Minha irmã morreu duas vezes", diz Thierry, que pediu para não ter o nome todo revelado. Ele se refere ao fato de que o coração de sua irmã teve de ser inutilizado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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