Greve geral de 48 horas paralisa parte do Chile

SANTIAGO

, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

Com o serviço público interrompido e boa parte do comércio paralisado, os chilenos viveram ontem o primeiro dia da greve geral de 48 horas convocada pela Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), principal sindicato do Chile. Em alguns pontos de Santiago, os manifestantes queimaram pneus, montaram barricadas e entraram em confronto com a polícia. Quinze pessoas foram detidas.

Com pedidos que vão desde uma reforma constitucional até a redução de impostos e o apoio às reivindicações estudantis por mais investimento em educação, a mobilização ameaça virar um protesto generalizado contra o presidente Sebastián Piñera, o líder mais impopular desde o general Augusto Pinochet - apenas 26% dos chilenos aprovam seu governo. A greve geral também é a primeira de 48 horas desde o fim da ditadura, em 1990.

Em pelo menos três pontos da capital e em várias cidades do interior, a polícia teve de usar jatos d"água e bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes que tentavam bloquear o trânsito e responderam com pedras e pedaços de pau. No entanto, os protestos, em sua maioria, foram pacíficos, ao som de "panelaços" e "buzinaços", comuns nos últimos momentos do governo Pinochet.

Simultaneamente, autoridades chilenas e manifestantes iniciaram uma queda de braço para marcar pontos na guerra de informações. O subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, afirmou que o Chile funcionou normalmente ontem.

Prisões e feridos. De acordo com o governo, a maior parte do transporte público, o metrô de Santiago, os bancos e a extração de cobre, principal fonte de renda do país, não foram afetados pela paralisação. O movimento no aeroporto internacional de Santiago também não foi interrompido, mas muitos funcionários protestaram com cornetas e cartazes.

"Os bloqueios que estão atrapalhando o trânsito são pontuais", disse o ministro dos Transportes, Pedro Pablo Errázuriz. No fim da tarde, fazendo um balanço da greve, Piñera criticou os manifestantes.

"Vimos hoje o uso equivocado de um instrumento legítimo de protesto. O objetivo foi prejudicar os chilenos", reclamou o presidente em discurso no Palácio de La Moneda. "A única coisa que eles querem é destruir e causar dor."

Os sindicalistas contestaram as informações oficiais. "O governo está empenhado em aparentar normalidade, quando todos sabem que o país não está normal", disse Arturo Martínez, presidente da CUT.

Segundo ele, mais de 80 organizações sociais aderiram. Cartórios, agências dos correios, previdência social, defensorias públicas, bibliotecas, arquivos e museus não funcionaram. A Associação Nacional de Funcionários Públicos garantiu que 80% do serviço público chileno parou.

Muitas repartições ou setores que não aderiram à greve, no entanto, trabalharam com pessoal reduzido e em pequenos turnos, causando atrasos.

Segundo dados oficiais divulgados pelo o jornal chileno El Mercurio, 11 pessoas ficaram feridas e 35 foram presas - uma das quais por tentativa de homicídio contra um policial em Santiago. / AP e REUTERS

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