Greve geral no Zimbábue não atinge a capital, diz NYT

Chamado da oposição contra atraso de 17 dias do resultado das eleições não surte efeito em Harare

Celia W. Dugger, do New York Times,

15 de abril de 2008 | 11h27

O chamado da oposição política do Zimbábue para que as pessoas do país abandonassem os postos de trabalho começaram a fazer efeito nesta terça-feira, 15, mas não com o sucesso esperado para a greve na capital, Harare. Os opositores pediram por um dia de paralisação em protesto ao atraso de 17 dias do governo no anúncio dos resultados da eleição presidencial. No início da manhã, as ruas estavam mais quietas que o comum, exceto pela forte presença da polícia. Os ônibus e microônibus que normalmente transportam as pessoas para o trabalho estavam escassos. Apesar do perigo de confrontos com a polícia, o comércio parecia iniciar suas atividades normalmente. O trânsito no centro de Harare permanecia calmo por volta do meio-dia, segundo afirmaram moradores por telefone e e-mail. Alguns pequenos estabelecimentos permaneceram fechados, mas lojas de departamento e mercados foram abertos. Nesta terça, na edição do jornal do governo The Herald, a polícia acusou a oposição de "promover a violência", e condenou os apoiadores por distribuir panfletos "subversivos" que encorajavam as pessoas a participar do que a polícia chamou de ato ilegal". Wayne Bvudzijena, porta-voz da polícia, disse que o chamado da oposição para a greve "era certamente para perturbar a paz e que seria firmemente reprimido por agentes cuja responsabilidade seria manter a lei e a ordem em qualquer parte do país". As pessoas que seguiam para o trabalho relataram que viram barricadas de ativistas e um microônibus em chamas. A paralisação é o primeiro esforço do partido opositor, o Movimento pela Mudança Democrática (MMD), em mobilizar protestos em massa desde as eleições do dia 29 de março, que eles afirmam que venceram. Oficiais eleitorais, citando irregularidades eleitorais, recusaram o pedido para anunciar o vencedor do pleito, disputado pelo presidente Robert Mugabe, que governou o país por 28 anos, e o candidato do MMD, Morgan Tsvangirai. A Suprema Corte do Zimbábue rejeitou o pedido para obrigar a Comissão Eleitoral a divulgar imediatamente o resultado oficial das eleições presidenciais do dia 29, fazendo com que o governo convocasse a greve. A polícia proibiu todas as manifestações públicas. E nos últimos dias, líderes de oposição afirmaram que acreditam que o governo de Mugabe está buscando motivos para declarar estado de emergência no país e governar sob decretos. Oficiais eleitorais afirmaram no sábado que planejam iniciar a recontagem de votos em 23 distritos. A oposição rejeitou a medida e monitores afirmam que a recontagem pós-eleitoral é ilegal e vulnerável à fraudes porque a integridade das urnas não foram asseguradas. Resultados oficiais anunciados garantiram ao partido da oposição a maioria dos deputados do Parlamento, custando o poder dos governistas do ZANU-PF pela primeira vez desde 1980. Porém, a recontagem dos votos pode diminuir o número de assentos garantidos pelo MMD.

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