Greve geral se prolonga na Venezuela

As exportações de petróleo que tendem a ser interrompidas, a maioria das empresas privadas paralisadas e as manifestações de rua cada vez mais intensas reduzem as possibilidades de que termine pacificamente a greve geral contra o governo Hugo Chávez, iniciada na última segunda-feira na Venezuela. Como a crise se aprofundou, o governo anunciou que está pronto para retomar as negociações de paz. Após resistir a três dias de greve aparentemente com poucos problemas, a indústria petrolífera venezuelana - quinta maior do mundo - mergulhou no caos ontem. Capitães ancoraram seus navios-tanque, as embarcações de reboque pararam e o pessoal dos portos paralisou o carregamento de combustível. O vice-presidente da Petróleos de Venezuela S. A. (PDVSA), Jorge Kamkoff, disse que não era possível atender aos pedidos de envio e deu liberdade de ação a compradores e vendedores do produto. Já o presidente da empresa, Alí Rodríguez, evitou revelar as cifras sobre o volume de petróleo e seus derivados que não foram exportados. "Estamos aplicando medidas extraordinárias para manter a atividade da empresa", disse Rodríguez. Chávez prometeu usar as Forças Armadas para manter a indústria petrolífera em funcionamento. Uma prolongada paralisação da PDVSA poderia causar o colapso do governo, uma vez que a empresa é responsável por 30% da arrecadação do Estado e por mais de 70% da renda com exportações. As duas partes em conflito advertem sobre a possibilidade de choques violentos entre simpatizantes do governo e opositores. Centenas de militares bloqueiam ruas e pontes na capital para evitar confrontos. A violência durante uma greve em abril precipitou a saída de Chávez do governo por 48 horas, depois que 19 pessoas morreram baleadas e outras 300 ficaram feridas. "Estamos vivendo uma espécie de guerra civil fria porque ainda não usamos as armas mas, para passar de uma situação fria para um quente é relativamente fácil, até por acidente", disse o analista político Alfredo Keller. "Isto nos levará a confrontos violentos." As discussões formais estão suspensas desde o início da greve na segunda-feira e até mesmo conversações informais sob a mediação do secretário-geral da OEA, César Gaviria, foram interrompidas na quarta-feira quando governo e oposição se aproximavam de um acordo. O pacto propunha o fim da greve, contemplava a retirada do Exército das ruas e permitia a realização de um referendo sobre a permanência de Chávez na Presidência. Ainda não está decidido quando as conversações serão retomadas, mas o líder opositor Manuel Cova qualificou o retorno do governo à mesa como um sinal de desespero por "não ter outra alternativa". A indústria do petróleo entrou em crise na quarta-feira à tarde, quando sete capitães ancoraram seus barcos e se negaram a entregar encomendas. Os rebocadores no Lago Maracaibo, por onde transita mais de um milhão de barris de petróleo por dia - a metade da produção venezuelana - aderiram à greve e se negaram a trazer seus navios até o porto.

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