Greve na Argentina poderá provocar falta de trigo e pão

O governo da Argentina alerta que a greve dos produtores rurais, prevista para a próxima semana, pode provocar desabastecimento de farinha de trigo e, por consequência, de pão. A paralisação do comércio agropecuário, de 17 até 24 de janeiro, foi classificada pelo ministro do Interior, Florencio Randazzo, como "desmedida", porque prejudica "os pequenos produtores, que necessitam vender, e os cidadãos".

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

14 de janeiro de 2011 | 17h01

Randazzo recordou que esse será o nono locaute dos produtores rurais para protestar contra as políticas do governo para a agropecuária. "O governo não merece que o setor tenha feito nove paralisações, quando foi o mais favorecido pelas políticas do governo", queixou-se, em entrevista às rádios de Buenos Aires.

Nos últimos anos, o agronegócio foi um dos principais motores da economia argentina, mas o setor alega que isso só foi possível graças aos preços internacionais e ao cenário externo. Os ruralistas acusam o governo de limitar seus lucros com medidas como cotas e elevadas alíquotas de exportação, além de interferências no mercado, medidas que reduzem os preços pagos ao produtor.

Randazzo, no entanto, afirmou que "o governo tem uma política para que o setor produtivo seja rentável". Ele citou as intervenções no câmbio, por meio do Banco Central, para manter a relação das moedas ao redor de 4 pesos por dólar. "Do contrário, hoje a moeda estaria a 1,67 por dólar e a atividade seria menos rentável". O ministro disse ainda que o valor da terra na Argentina aumentou de US$ 2 mil por hectare, em 2002, para US$ 20 mil, atualmente.

O locaute ruralista foi anunciado na última quarta-feira, após reunião entre as entidades e o ministro de Agricultura, Julián Domínguez. A medida foi uma resposta à decisão do governo de não liberar totalmente a exportação para milho e trigo. Os líderes das entidades representativas denunciam que ao autorizar as vendas externas "a conta-gotas", o governo elimina a concorrência pelo produto, os preços ao produtor se deprimem e só beneficiam os exportadores e os moageiros.

Antes da reunião, Domínguez divulgou a liberação da totalidade do saldo exportável de trigo, do qual 4 milhões toneladas já haviam sido liberadas. Na nota divulgada à imprensa, o ministro não detalhou que a liberação seria progressiva: 3 milhões de t nesta semana e um milhão na próxima.

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