Greve na França diminui nas ferrovias, mas aumenta entre os estudantes

Manifestações são decorrentes da reforma previdenciária, que aumenta a idade mínima de aposentadoria

Efe

15 de outubro de 2010 | 05h52

PARIS - Enquanto a greve contra a reforma da previdência na França perdia fôlego nesta sexta-feira, 15, as manifestações estudantis aumentavam no país e a maioria das refinarias era mantida sob bloqueio.

A Sociedade Nacional de Estradas de Ferro (SNCF) assinalou que o número de trens que circulariam é superior ao de ontem. A previsão era uma média de dois terços dos trens de alta velocidade (TGV) com saída ou chegada a Paris e a metade dos trens de grande trajeto, regionais e locais.

Uma porta-voz da SNCF confirmou que, na noite passada, não funcionaram os trens que conectam Paris com Barcelona e Madri, nem os que passam pela França provenientes de Barcelona com destino à Itália ou Suíça.

A direção da SNCF ferroviária tinha contabilizado ontem 20,3% de grevistas (a CGT, principal sindicato, registrava 31,25%), número inferior aos 24% de quarta-feira e, sobretudo, aos 40% de terça-feira, quando começou a paralisação.

As manifestações em todo o país são decorrentes da reforma previdenciária, que aumenta de 60 para 62 a idade mínima de aposentadoria e de 65 para 67 a idade com direito à previdência completa.

Uma das principais preocupações do Governo na disputa com os sindicatos é a paralisação brusca de dez das 12 refinarias da França Metropolitana.

Nesta manhã, a Polícia desmantelou os bloqueios que eram mantidos por grevistas nas refinarias de Fos-sur-Mer, junto a Marselha, e os de Bassens, na periferia de Bordeaux.

Diante do medo de que em poucos dias haja escassez de combustíveis - o consumo subiu 50% na última semana -, o governo autorizou ontem os grupos petrolíferos a usarem suas reservas para abastecer os clientes. Essa medida não afeta as reservas estratégicas, que só são ativadas em casos de crise internacional.

De forma simultânea, o principal sindicato das transportadoras, a CFDT, convocou bloqueios nas estradas e "operações caracol", pela qual caminhões desaceleram a circulação nos principais eixos viários.

Enquanto o Senado continua a tramitação do projeto de lei sobre previdência - o voto definitivo deveria ocorrer na próxima quarta-feira, o Governo francês tem de enfrentar também as manifestações de muitos estudantes, que aderiram ao movimento com protestos que causaram ontem incidentes, deixando feridos em várias cidades da França.

Segundo o Ministério da Educação, ontem havia 340 escolas de Ensino Médio afetadas por essas mobilizações, mas os sindicatos de estudantes garantem que eram mais de 500.

Um dia antes de uma nova jornada de manifestações, marcadas para este sábado, e de uma nova greve geral convocada para a terça-feira da semana que vem, o líder da oposição socialista, Martine Aubry, pediu ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, que suspenda a reforma para modificar seu conteúdo,que considera injusto.

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