Greve na França prejudica rotina e fecha Torre Eiffel

Uma greve nacional convocada pelos sindicatos franceses resultou no cancelamento de voos e trens e fechou a Torre Eiffel (Paris) hoje, prejudicando a rotina de muitas pessoas e elevando a pressão contra o governo para que desista de elevar em dois anos a idade mínima para a aposentadoria.

AE-AP, Agência Estado

12 de outubro de 2010 | 18h34

Ferroviários sindicalizados e funcionários do sistema de transporte público de Paris prometeram ficar parados por pelo menos mais um dia. De acordo com a polícia, cerca de 1,2 milhão de pessoas participaram de uma passeata contra o projeto, a maior participação popular das quatro manifestações nacionais realizadas nas últimas cinco semanas, o que mostra o crescimento do movimento contra o governo conservador do presidente Nicolas Sarkozy a respeito da proposta de elevar a idade para a aposentadoria de 60 anos para 62 anos.

O governo se recusa a recuar, dizendo que o projeto é a única forma de salvar o sistema previdenciário francês, que registra déficit cada vez maiores. Mesmo com essa alteração, a França terá umas das menores idades para aposentadoria do mundo desenvolvido. O país tem um enorme déficit orçamentário e baixo crescimento. O governo afirma que precisa colocar as finanças em ordem.

Situação

Alguns sindicatos declararam o início de greves sem data para terminar a partir desta terça-feira, o que significa que podem durar dias ou até semanas. Mais de 200 manifestações de rua foram realizadas em todo o país. Cerca de 1,23 milhão de pessoas participaram de passeatas barulhentas mas pacíficas, informou o Ministério do Interior. O sindicato CFDT informou que 3,5 milhões de pessoas participaram das manifestações. Os dois números são mais altos dos que as estimativas de outros protestos nas últimas cinco semanas.

Cerca de 30% dos voos foram cancelados no aeroporto mais movimentado da França, o Charles de Gaulle, em Paris. Os cancelamentos no segundo aeroporto mais importante, o de Orly, chegaram a 50%, segundo as autoridades aeroportuárias. Os voos mais afetados foram os domésticos de curta distância e os que atendem outros países da Europa.

Trabalhadores de seis refinarias da gigante do petróleo Total SA entraram em greve e em duas delas havia preparação para o completo fechamento da instalação, informou o porta-voz da empresa, Michael Crochet-Vourey. Ele não quis fazer uma estimativa sobre em quanto tempo as greve podem resultar em falta de combustível nos postos de gasolina.

A participação no movimento varia de setor para setor. Quase 17% dos funcionários dos correios não trabalharam. O Ministério da Educação informou que cerca de 22% dos professores aderiram à greve, menos do que na manifestação anterior de 23 de setembro.

Com o corte de cerca de 50% dos serviços de trens de subúrbio, metrô e ônibus em Paris, muitas pessoas foram trabalhar de bicicleta, patins ou skate.

A perspectiva para a quarta-feira (13) continua incerta para muitos setores, mas muitos funcionários das ferrovias nacionais pretendem permanecer de braços cruzados, assim como alguns trabalhadores da rede de transporte de Paris. Alguns trabalhadores de setor petrolífero prometeram manter o protesto nas refinarias e um sindicato advertiu sobre a possibilidade de falta de gasolina.

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