Greve na Venezuela dá sinais de esvaziamento

Apesar do pessimismo do mediador da crise venezuelana, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, em relação a uma solução rápida a greve geral que paralisa o país desde 2 de dezembro dá sinais cada vez mais claros de que está se esvaziando. Depois de permanecer fechada por 57 dias, em apoio ao movimento de protesto pela deposição do presidente Hugo Chávez, a Bolsa de Valores de Caracas voltou a funcionar hoje, registrando uma discreta alta. O mercado de ações operou por duas horas e meia e deve manter esse período de funcionamento diariamente até segunda ordem, segundo a direção da bolsa.Os bancos locais seguem mantendo um horário de funcionamentoreduzido, apesar das exigências do governo para que as instituições voltem a funcionar em período integral. Também asassociações das escolas particulares da Venezuela estudam formalizar o fim da paralisação do setor. Mesmo antes da decisãooficial das entidades de classe, várias escolas privadas já retomaram as aulas após o fim do período de férias de verão.Porta-vozes da oposição venezuelana têm reiterado que estãodispostos a suspender a greve, que atinge principalmente o setorpetrolífero do país, caso haja um acordo com o governo para umasaída eleitoral. "Depois de praticamente dois meses deparalisação nesse protesto, as organizações (da oposição) têm derevisar permanentemente sua estratégia", disse o presidente daassociação de comerciantes Consecomercio, Julio Brazón,acrescentando que o relaxamento da greve não significa"abandonar a luta".A oposição insiste na realização de um plebiscito que leve àremoção de Chávez da presidência. O presidente venezuelano, noentanto, só aceita submeter seu mandato a um referendorevogatório a partir de 19 de agosto, como prevê a Constituiçãovenezuelana.Gaviria declarou no fim de semana esperar que o grupo de"países amigos" da Venezuela - formado por Brasil, EUA, Chile,México, Portugal e Espanha - ajudem a reduzir a retórica deradicalização tanto por parte do governo quanto por parte daoposição.O governo venezuelano, no entanto, voltou a defender hoje aampliação do grupo, com a inclusão de países como Argélia, Irã,Cuba e França. "Quem se incomodaria com amigos extras?",indagou o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, RoyChaderton.Na tentativa de conter os efeitos econômicos negativos dacrise política, o governo interveio no mercado de câmbio eanunciou um programa de controle de preços. As operações decompra e venda de dólares devem ser retomadas amanhã, com afixação do câmbio. "As medidas eram inevitáveis", analisouPedro Palma, professor do Instituto de Estudos Econômicos eex-presidente da Câmara de Comércio Venezuelana-Americana. "A paralisação do setor petrolífero bloqueou a entrada de dólaresno país levou a uma queda de reservas da ordem de US$ 1,5 bilhão por mês, um ritmo insuportável para qualquer economia."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.