Greve na Venezuela entra no 11º dia e OEA pode intervir

A greve geral convocada por grupos políticos, sindicados e empresários do setor privado, que exigem a renúncia do presidente Hugo Chávez, entrou hoje no 11º. dia e não há sinais de solução, pelo menos a curto prazo. O presidente da Confederação de Trabalhadores de Venezuela (CTV), Carlos Ortega, declarou ontem à noite que a "resistência da oposição será total", até conseguir tirar Chávez da presidência. Para isso, Ortega, que tem apoio da Fedecâmaras, entidade que agrupa todo o setor privado, espera que a Organização dos Estados Americanos (OEA) condene a "dura repressão" exercida pelo presidente. Por sua vez, o governo venezuelano, por meio do embaixador junto à OEA, Jorge Valero, anunciou na televisão que a Venezuela solicitará a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA, onde pretende apresentar a posição do governo diante da crise que vive o país. Valero descartou, no entanto, invocar o Artigo 17 da Carta Inter-americana da OEA, já que isso significaria reconhecer que o "governo é incompetente para conduzir a crise". Riscos O secretário-geral da OEA, César Gaviria, declarou, no entanto, que, no momento, não seria conveniente convocar o Conselho. "Não quero iniciar uma discussão na OEA antes que as duas partes (governo e oposição) me escutem. Há apoio total dos países do Hemisfério ao processo de negociações e os líderes do Continente já começa a dar sentido de urgência a esse trabalho", disse Gaviria no seu informe diário, no final da noite. O secretário-geral da OEA alertou ainda sobre os graves riscos que corre o país, os quais, de acordo com ele, podem transformar-se em traumas dolorosos para os venezuelanos, principalmente depois dos acontecimentos de sexta-feira passada, quando três pessoas morreram e 28 ficaram feridas durante um tiroteio na Plaza Francia de Altamira. Para Gaviria, o clima de intolerância no país está cada vez mais pesado e o ambiente de polarização cada vez maior. "Estamos ainda em um exercício inevitável de discussões. Por isso, estou disposto a ficar em Caracas quantos dias sejam necessário, inclusive até depois do Natal." Gaviria informou que, nesta quarta-feira, o governo apresentou uma proposta eleitoral que inclui um plebiscito para agosto de 2003. A oposição insiste, no entanto, em fixar uma data para eleições antes do fim do primeiro trimestre. Panelaços Ontem à noite, como nos últimos dez dias, milhares de pessoas saíram às ruas invocando palavras de ordem pedindo a renúncia de Chávez. Assim como em Buenos Aires, exatamente um ano atrás, os venezuelanos imitaram os panelaços dos argentinos que tiraram o então presidente Fernando de la Ruá da presidência da Argentina. A cada dia, as ruas de Caracas se transformam num verdadeiro palco de protestos, que agora não se limitam mais a panelaços. As janelas dos prédios começam a exibir a bandeira do país em sinal de protesto, por um lado, e de apoio a Chávez, por outro. Fica claro que o país está totalmente dividido, queiram ou não os grupos de oposição a Chávez, que parecem ser maioria. E é aí que está o maior risco, na opinião de Gaviria. Assim como a oposição adotou a Plaza Francia de Altamira como o palco para seus protestos, os favoráveis a Chávez adotaram a Plaza Candelaria, no centro de Caracas.

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