Greve nacional tem pouca repercussão na Bolívia

Uma greve nacional convocada pela Central Operária Boliviana (COB) para exigir a renúncia do presidente do país, Gonzalo Sánchez de Lozada, parecia encaminhar-se para o fracasso nesta segunda-feira, segundo informações da imprensa. O secretário executivo da COB, Saturnino Mallcu, diante da falta de apoio à greve, confiava que o protesto fosse sentido durante a realização de uma marcha em La Paz. Mas da marcha, que reuniu principalmente pequenos comerciantes, não participaram mais do que 3.000 pessoas, e sua passagem pacífica pelas principais avenidas da capital boliviana não despertou maiores adesões. Em algumas cidades do interior da Bolívia, os professores não se apresentaram ao trabalho. A COB, como a oposição em geral, afirma que Sánchez de Lozada, por ter tentado aprovar um imposto sobre os salários, é o responsável por um confronto entre policiais amotinados e militares que, na semana passada, deixou 29 mortos, 189 feridos e danos em 130 casas comerciais e edifícios públicos. Ao mesmo tempo, o deputado Evo Morales, líder da oposição e dos plantadores de coca, afirmou que apóia os protestos mas que, no momento, deixa em suspenso seu pedido para que o presidente renuncie.Indicou também que acatará a decisão do Estado Maior do Povo, um grupo político-sindical de esquerda que no domingo deu a Sánchez de Lozada um prazo de 14 dias "para que atenda a todas as demandas sociais". Morales indicou que a decisão dessa aliança opositora - que inclui a COB - de conceder um prazo ao mandatário, deve-se ao fato de terem sido observados alguns progressos nas negociações, iniciadas há duas semanas, entre o governo e os camponeses que cultivam folhas de coca, a base da cocaína. Morales concordou com outro líder opositor - Manfred Reyes, da Nova Força Republicana - ao considerar insuficiente o anúncio feito pelo presidente na noite de domingo, de que fechará vários ministérios e deixará de receber seus vencimentos. "Uma equipe trabalhou em um plano para reduzir os gastos do governo (propondo) menos ministérios, menos vice-ministérios e departamentos, menos gastos com celulares e veículos porque, obviamente, temos de dar o exemplo como liderança", disse Sánchez de Lozada. Indicou que tais decisões constarão do orçamento de 2003, que o governo espera negociar com a oposição e os sindicatos, depois de ter anulado o tributo salarial. Fontes do governo adiantaram que nesta semana o presidente substituirá vários ministros.

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