Greve no Canal de Suez acende luz amarela nos EUA

SUEZ, EGITO

, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2011 | 00h00

O risco de uma greve de funcionários acabar fechando o Canal de Suez - por onde passa 8% do transporte marítimo mundial - passou a assustar governos do Cairo a Washington. A agência de energia americana foi obrigada a ir ao Congresso garantir que, caso o estreito seja eventualmente bloqueado, é possível usar a capacidade ociosa de navios - cerca de 10% - para contornar a crise.

Os temores sobre o fechamento do canal já haviam feito o barril de petróleo Brent fechar acima de US$ 100 na semana passada. Até agora o fluxo no canal segue inalterado, apesar dos 17 dias de crise no Egito. Na noite de quarta-feira, funcionários de empresas que prestam serviço ao Canal de Suez cruzaram os braços pedindo maiores salários e melhores condições de trabalho. O temor ontem era o de que a greve se espalhasse, tirando de funcionamento o estreito que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

Aos congressistas americanos, o chefe da Agência de Informação sobre Energia (AIE), Richard Newell, disse que 3,1 milhões de barris de petróleo passam por dia pelo Canal de Suez e pelo oleoduto de Sumed - que percorre o mesmo trecho. Segundo Newell, 45 milhões de barris podem ser transportados atualmente sem passar pelo canal e essas embarcações têm em média 10% de capacidade ociosa.

"O aumento na capacidade dos navios seria modesto no presente contexto", defendeu o chefe da agência americana.

Newell reconheceu, porém, que um eventual fechamento do Canal de Suez e do duto de Sumed desacelerariam o transporte de petróleo e gás no mundo, pois embarcações seriam obrigadas a percorrer mais quase 10 mil quilômetros - equivalente a 12 dias de viagem. Como antes da construção do canal, em 1869, os navios terão de contornar o sul da África para chegar até a Europa e à face oriental das Américas.

Mas mesmo esse aumento no tempo das viagens não deve aumentar significativamente o preço do combustível, afirmou o funcionário americano.

Europeus. O jornal egípcio al-Ahram noticiou ontem que o número de funcionários em greve já chegava a 6 mil e a paralisação atingiu as cidades de Suez, Port Said e Ismália. Mohamed Motair, diretor da autoridade do canal, disse à agência Bloomberg que os funcionários que cruzaram os braços não trabalham diretamente nas operações de transporte. "Isso não tem nada a ver com o tráfego no Canal de Suez. Estamos operando normalmente", garantiu Motair.

O bloqueio em Suez seria especialmente preocupante aos países da União Europeia. Cerca de 7% da energia consumida por europeus passa pelo estreito e a região já é vulnerável às pressões da Rússia, sua principal fornecedora de gás e petróleo.

Na semana passada, Muhammad Ghannem, figura de destaque da Irmandade Muçulmana, maior grupo de oposição do Egito, teria afirmado ao jornal Al-Alam que o Canal de Suez deveria ser "imediatamente fechado". Outros líderes da irmandade, entretanto, garantem que os protestos no Egito são uma questão doméstica e a organização não pretende se impor diante dos demais movimentos de oposição. / REUTERS

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