Greve pode perturbar entrada em vigor do euro

As cinco principais centrais sindicais do setor bancário na França - CFDT, CGT, SNB, FO, CGC e CFTC - decidiram iniciar uma greve de duração indefinida a partir de 2 de janeiro, primeiro dia útil após a entrada em vigor do euro em doze dos quinze países da União Européia. Esse movimento grevista poderá ser seguido também por outros países da zona do euro, o que aumentaria as dificuldades que já podem ser constatadas para a implantação da moeda única. As centrais sindicais francesas têm se articulado com sindicatos de outros países, como Portugal, Espanha e Itália. Também o serviço de correios, o PTT francês, está prometendo uma greve a partir do dia 14 de dezembro, data em que os primeiros saquinhos contendo moedas em euros começam a ser distribuídos para facilitar o troco no momento em que a moeda única estiver circulando, no inicio de 2002. A fabricação da nova moeda na França já está atrasada por uma greve que imobilizou durante alguns dias a fábrica de Pessac, na região da Gironde. Os sindicatos pretendem aproveitar essa oportunidade para que sejam reabertas as negociações salariais, atualmente interrompidas. Também os agentes das empresas de transportes de fundos exigem negociações sobre melhoria das condições de segurança, lembrando que nesse período haverá um grande movimento de transporte de moedas em todo o país, aumentando as possibilidades de assaltos. Algumas tentativas já ocorreram nessas últimas semanas, visando obter o modelo das moedas para falsificação. Também a aplicação da lei de 35 horas semanais no setor bancário foi suspensa até o final de março, diante de um esperado acumulo de trabalho entre os últimos dias do ano e o fim do primeiro trimestre de 2002. Os bancários se felicitam, entretanto, pela contratação interina de 50 mil novos assalariados que deverão ajudá-los durante a fase de transição, em que as duas moedas, o franco e o euro, deverão circular simultaneamente, até o dia 17 de fevereiro. Depois dessa data, nos doze países da zona do euro, só a nova moeda será válida. Os detentores de franco, marco, lira, escudo e peseta poderão trocar essas velhas moedas junto aos bancos até 30 de junho. Os dirigentes de lojas de departamento do tipo Galeries Lafayette, Printemps e Samaritaine, não escondem sua preocupação com o atraso no abastecimento de notas e moedas em euros. Eles estão dispostos a procurar o ministro da Economia e a direção do Banco da França para que eles possam assumir o compromisso de que suas lojas serão corretamente abastecidas. Também associações de caridade disputam, atualmente, as moedas antigas, estimando-se em muitos milhões de euros o montante em moedas de 10, 20 e 50 centavos de francos que poderão ser recuperadas.

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