JEFF PACHOUD|AFP
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Greves contra reforma se espalham na França

Governo mobiliza tropas de choque ante convocação de sindicato que deve paralisar serviços básicos em protesto contra nova lei trabalhista

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2016 | 19h51

Sindicatos franceses ampliam nesta quarta-feira sua contestação ao governo de François Hollande e ao projeto de reforma trabalhista, marcado pela flexibilização das condições de demissão. Trabalhadores de ferrovias, do metrô de Paris, da Air France e até de centrais nucleares reforçarão o movimento iniciado nas refinarias de petróleo, que ameaça paralisar o país por falta de combustíveis.

Nesta terça-feira, o governo ordenou às tropas de choque que desbloqueassem o acesso às usinas para retomar o reabastecimento. Até o início da manhã, seis das oito refinarias de petróleo estavam isoladas pela ação dos manifestantes, causando ruptura de estoque de combustíveis em 1,5 mil dos 12 mil postos de combustíveis da França.

 

A ordem de desocupação colocou o primeiro-ministro, Manuel Valls, em rota de colisão direta com a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), o maior e mais radical sindicato do país. De acordo com o secretário dos Transportes, Alain Vidalies, o risco de pane seca pode ser descartado porque a França tem estoques estratégicos armazenados em sete regiões, o que deve permitir o reabastecimento dos postos de combustíveis.

“Esses estoques correspondem a 90 dias de importações diárias ou 61 dias de consumo interno diário”, reiterou o secretário. No entanto, no noroeste e no sul do país, o número de postos sem combustíveis está aumentando e as filas para encher o tanque se espalham.

Valls garantiu nesta terça-feira que as refinarias serão desbloqueadas pelas forças de ordem, se necessário. “A CGT enfrentará uma resposta extremamente firme do governo”, afirmou o primeiro-ministro francês. “Chega, está insuportável.”

A resposta dos sindicatos, entretanto, foi mais mobilização. Sete centrais, lideradas pela CGT, e organizações estudantis convocaram dois novos protestos para amanhã e para o dia 14 de junho e os anúncios de greve se multiplicaram.

Na SNCF, empresa pública que administra a rede ferroviária do país, e na RATP, que mantém os metrôs da capital, a greve será parcial. No aeroporto de Orly, o segundo mais importante da França, 15% dos voos serão cancelados, segundo a Direção Geral de Aviação Civil (DGAC). Nas centrais nucleares da EDF, estatal de energia, os grevistas prometem bloquear o acesso às usinas, que enfrentariam paralisação parcial ou total.

Líder do confronto com o governo, o secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, convocou os trabalhadores “à generalização da greve em todos os setores”. O sindicato rompeu totalmente o diálogo com o governo de Hollande, eleito pelo Partido Socialista (PS).

O presidente reiterou sua determinação de “reformar o país” e acusou a CGT de tentar paralisar a França. “É uma estratégia levada adiante por uma minoria”, criticou Hollande em entrevista à Rádio France Culture. Na oportunidade, ele afastou qualquer possibilidade de recuar sobre a lei de reforma do mercado de trabalho.

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