Ivan Alvarado/Reuters
Ivan Alvarado/Reuters

Grevistas chilenos enfrentam polícia nas ruas

Lojas são saqueadas e veículos queimados, no segundo dia da greve geral que paralisa o país

, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

SANTIAGO

Depois de uma madrugada violenta, milhares de chilenos voltaram a tomar as ruas da capital, Santiago, e outras cidades do país, no segundo dia da greve geral de 48 horas convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), estudantes e funcionários públicos em protesto contra o governo de Sebastián Piñera, cuja popularidade está em 26%. Segundo as autoridades, mais de cem pessoas foram detidas ontem.

Os manifestantes voltaram a bloquear cruzamentos da capital e outras cidades incendiando pilhas de lixo, além de atacar a polícia com pedradas. Os agentes de segurança voltaram a responder com gás lacrimogêneo e jatos d"água. Em La Granja, na região metropolitana de Santiago, um vagão de trem foi incendiado e escritórios municipais foram saqueados.

Durante o dia, cerca de 50 mil pessoas - segundo a polícia - foram às ruas da capital, em quatro marchas que se dirigiram ao centro. Paralelamente, manifestantes encapuzados desafiavam as autoridades saqueando lojas, queimando veículos, levantando barricadas e arremessando pedras e paus contra policiais. A porta de uma igreja foi incendiada na Avenida Libertador Bernardo O"Higgins, uma das principais vias de Santiago. Segundo o Ministério do Interior chileno, 300 ônibus foram danificados e pelo menos 42 pessoas ficaram feridas desde o início da paralisação de 48 horas, que não afetou o transporte público ou o trabalho das minas de cobre do país, de acordo com a agência Reuters.

"A sociedade chilena chegou a um ponto em que não suporta mais ser ignorada", resumiu a estudante de música Rebeca Martínez, diante da Universidade do Chile, em Santiago. Os estudantes chilenos organizam manifestações por educação pública gratuita no país há três meses. Outros setores da sociedade passaram a se solidarizar com a causa dos jovens que exige, principalmente, uma melhor distribuição da receita gerada pela produção de cobre no Chile. / AP e REUTERS

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