Grillo diz que não fará aliança com Bersani na Itália

Líder do Movimento Cinco Estrelas diz que vai votar favoralmente quando 'houver convergência no programa de governo'

AE, Agência Estado

27 de fevereiro de 2013 | 15h09

ROMA - O comediante Beppe Grillo, líder do Movimento Cinco Estrelas, que ficou em terceiro lugar nas eleições parlamentares na Itália, disse nesta quarta-feira, 27, por meio do microblog Twitter, que o vencedor da disputa, Pier Luigi Bersani, da coalizão de centro esquerda, é um "morto que fala". Ele disse também que seu partido não vai se aliar com ninguém para formar um governo de coalizão.

Segundo Grillo, o Partido Democrático (PD), de Bersani, tem feito "propostas indecentes" para ele, apesar de já tê-lo chamado de "fascista" e coisas piores antes. Mesmo assim, sua insistência em não formar uma coalizão não significa que Bersani não será capaz de formar um governo com seu suporte indireto.

Bersani respondeu, também por meio do Twitter, que queria ver Grillo falando o que escreveu no Parlamento, onde "cada um assume a responsabilidade" pelo que diz.

Formação do governo

Analistas lembraram que uma regra obscura do Senado permitiria que parlamentares do Movimento Cinco Estrelas permanecessem fora do Parlamento durante o voto de confiança, permitindo a instalação do governo. Grillo disse que está interessado no suporte a propostas legislativas que estejam de acordo com o próprio partido - o que permitiria a convergência em alguns pontos.

Ainda assim, o próprio Grillo não tem mandato e os que foram eleitos pela sua legenda podem agir por iniciativa própria. Como os 163 parlamentares são todos novos no cargo, e com média de idade de 32 anos, a disciplina partidária ainda não foi testada.

"Grillo decidiu tudo durante a campanha eleitoral, mas os que foram eleitos decidirão por conta própria", afirmou a porta-voz do Movimento Cinco Estrela, Valentina Zafarna, eleita para a assembleia regional, na qual o partido de Grillo formou aliança com o governo.

"Se houver convergência no programa, posso votar a favor do governo de Bersani", afirmou a senadora Serenella Fuksia, nova eleita pelo Movimento Cinco Estrelas. "Não estamos no Parlamento para perder tempo", acrescentou.

Grillo disse que pretende conversar com o presidente Giorgio Napolitano, sinalizando ser improvável um acordo formal nos próximos dias.

Após as eleições na Itália, o chefe de Estado se encontrou com líderes de vários partidos para saber de suas intenções e decidir se confiará à alguém a tentativa de formar um governo, o que precisará do voto de confiança nas duas casas. Essas consultas, entretanto, devem acontecer apenas após os novos parlamentares tomarem posse no dia 15 de março.

Caso o governo não seja formado, novas eleições podem ser convocadas e o partido de Grillo está confiante que pode vencer inclusive com mais votos, talvez conquistando a maioria no Parlamento.

Com informações da Dow Jones

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