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Gritos interrompem julgamento de tragédia em estádio egípcio

Réus se manifestaram durante leitura de acusações de 61 homens pelo envolvimento no tumulto que matou 74 pessoas

Reuters,

17 de abril de 2012 | 12h25

CAIRO - O julgamento de 61 homens acusados de envolvimento no tumulto que matou 74 pessoas em fevereiro num estádio de futebol do Egito foi interrompido durante alguns instantes nesta terça-feira, 17, por gritos dos réus durante a leitura das acusações.

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O juiz Abdel Magid Mahmoud se retirou quando os réus subiram nos bancos dentro da cela montada no plenário e começaram a agitar os punhos. Os procedimentos foram retomados minutos depois.
 
"Ou temos justiça para eles, ou morremos nós mesmos", gritavam os réus, negando qualquer envolvimento no tumulto ocorrido em 1o de fevereiro na localidade de Port Said, no que foi a pior tragédia esportiva na história egípcia.
 
Muitos dos mortos foram esmagados quando torcedores em pânico tentavam fugir do estádio, após uma invasão do gramado.
 
O incidente agravou a sensação de caos nacional no Egito, que já vinha se instalado por causa dos protestos generalizados após a deposição do presidente Hosni Mubarak, no ano passado.
 
A torcida do time visitante, o Al Ahly, acusou o Ministério do Interior de causar deliberadamente o tumulto, para se vingar da participação desses torcedores na rebelião popular que derrubou Mubarak, e da continuada hostilidade desse grupo a policiais.
 
Um promotor disse na audiência que os réus se muniram de objetos pontiagudos, explosivos e pedras para confrontar torcedores rivais.
 
Em frente ao tribunal, centenas de manifestantes exigiam justiça pelas vítimas. Alguns usavam camisetas pretas com os dizeres: "Quando eu parar de torcer, certamente estarei morto".

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